Senadora Dra. Eudócia pede CPI e acusa Renan Calheiros de proteger banqueiro Daniel Vorcaro em meio a crise do Banco Master

A senadora Dra. Eudócia (PL-AL) protocolou, nesta quinta-feira (26), um pedido formal de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado Federal, além de uma notícia-crime junto à Procuradoria-Geral da República (PGR), ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à Polícia Federal (PF), na qual acusa o senador Renan Calheiros (MDB-AL) de proteger os interesses do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A parlamentar alega que o emedebista estaria usando sua influência política para blindar Vorcaro de investigações que envolvem suspeitas de irregularidades financeiras e tráfico de influência. O caso ganha contornos explosivos em meio à crise que atinge o Banco Master, instituição financeira que, segundo reportagens recentes, teria sido beneficiada por operações suspeitas no âmbito do INSS e do Banco BMG, reacendendo escândalos que marcaram o sistema financeiro nacional na última década.

De acordo com a senadora, as evidências colhidas por sua equipe indicam que Renan Calheiros teria atuado para obstruir investigações em andamento, utilizando seu cargo de presidente do Senado para pressionar órgãos de controle e evitar a convocação de Vorcaro para depor. Dra. Eudócia afirma que a relação entre o parlamentar e o banqueiro remonta a acordos políticos e financeiros que precisam ser esclarecidos. “Não podemos permitir que o poder seja usado para acobertar crimes. O povo alagoano e brasileiro merece transparência”, declarou a senadora em coletiva de imprensa.

Crise do Banco Master reacende escândalos do INSS e BMG

A crise do Banco Master, que já acumula prejuízos bilionários e investigações sobre lavagem de dinheiro e fraudes em contratos, reacendeu um capítulo sombrio da história financeira do país: os escândalos envolvendo o INSS e o Banco BMG. Em 2023, uma série de reportagens revelou que o Banco Master teria operado como intermediário em empréstimos consignados fraudulentos, lesando aposentados e pensionistas. O caso guarda semelhanças com o escândalo do INSS e BMG, que, em 2016, resultou na prisão de dezenas de envolvidos e na condenação de ex-diretores do banco mineiro por corrupção e lavagem de dinheiro. A senadora Dra. Eudócia já havia solicitado, em maio deste ano, a reabertura das investigações sobre aquele caso, mas o pedido foi arquivado pela PGR. Agora, com a crise do Banco Master, ela vê uma oportunidade de retomar o assunto e ampliar o escopo das apurações.

Embate público entre senadores de Alagoas expõe racha político e acirra tensão no Congresso

A acusação de Dra. Eudócia contra Renan Calheiros não é um fato isolado, mas sim o ápice de um racha político que vem se aprofundando entre os senadores de Alagoas. Nos últimos meses, os dois parlamentares trocaram farpas públicas em plenário e nas redes sociais, com a senadora do PL criticando abertamente a gestão de Calheiros à frente do Senado e sua influência sobre a bancada alagoana. O embate expõe as divisões internas no Congresso Nacional, onde a disputa por espaço e poder entre as lideranças partidárias se intensifica às vésperas das eleições municipais de 2026. Enquanto Renan Calheiros, figura histórica do MDB, busca manter sua hegemonia política no estado, Dra. Eudócia, apoiada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, tenta capitalizar o desgaste do emedebista e se posicionar como a voz da oposição em Alagoas. A crise do Banco Master, portanto, tornou-se mais um campo de batalha nessa guerra política, com implicações que vão além das fronteiras estaduais e podem afetar o equilíbrio de forças no Senado.

Até o fechamento desta edição, a assessoria de Renan Calheiros não havia se manifestado oficialmente sobre as acusações. A PGR, o STF e a PF ainda não comentaram o teor da notícia-crime protocolada por Dra. Eudócia. A expectativa é que o pedido de CPI seja analisado nas próximas semanas pela Mesa Diretora do Senado, onde o próprio Calheiros exerce influência decisiva. Enquanto isso, o Banco Master, em nota, negou qualquer irregularidade e afirmou que “todas as operações são realizadas dentro da mais estrita legalidade”. A crise, no entanto, já provocou a queda das ações da instituição na bolsa de valores e levou o Banco Central a intensificar a fiscalização sobre o grupo financeiro.

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