Eudócia Caldas pressiona Renan Calheiros por assinatura em CPI sobre o BMG-Master e acirra crise no Congresso

Em meio a um cenário de tensão política no Congresso Nacional, a ex-prefeita de Murici e pré-candidata a deputada estadual Eudócia Caldas (PL-AL) cobrou publicamente, nesta semana, a assinatura do senador Renan Calheiros (MDB-AL) para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar supostas irregularidades envolvendo o banco BMG-Master. A cobrança, feita por meio de redes sociais e repercutida em veículos locais, expõe o racha político entre lideranças alagoanas e acirra a disputa por espaço na oposição ao governo federal.

A CPI proposta tem como alvo operações financeiras que, segundo denúncias, envolveriam o banco BMG-Master em esquemas de concessão de crédito e repasses a empresas e entidades, com suspeitas de favorecimento político e desvios de recursos públicos. Eudócia Caldas afirmou que a investigação é necessária para esclarecer “a verdade sobre os negócios escusos que envolvem o sistema financeiro e políticos influentes”, e destacou que a ausência de assinatura de Renan Calheiros — um dos senadores mais experientes do MDB — representa um entrave à transparência.

Panorama político e desdobramentos

O embate ocorre em um momento de forte polarização no Congresso, onde a base do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) busca conter avanços de CPIs que possam desgastar a administração petista. Renan Calheiros, que integra a base aliada, tem sido alvo de críticas de setores da oposição por supostamente atuar para barrar investigações que possam atingir aliados. A cobrança de Eudócia Caldas, filiada ao PL — partido do ex-presidente Jair Bolsonaro —, insere-se nesse contexto de disputa entre oposição e situação, com reflexos diretos na política alagoana.

Além disso, a movimentação de Eudócia Caldas ocorre em paralelo a articulações de outros parlamentares, como o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), presidente do Congresso, que tem sido pressionado a definir o ritmo de instalação de novas CPIs. Até o momento, o requerimento para a CPI do BMG-Master conta com o apoio de ao menos 30 senadores, mas ainda não atingiu o número mínimo de 27 assinaturas necessárias para ser protocolado oficialmente — embora o total de apoios já supere esse patamar, a falta de adesão de figuras-chave como Renan Calheiros pode atrasar o processo.

A crise política em Alagoas também se intensifica com a aproximação das eleições municipais de 2024, onde Eudócia Caldas busca se consolidar como uma voz da oposição no estado, enquanto Renan Calheiros tenta manter a influência do MDB na região. A cobrança pública, portanto, não se limita a uma questão de transparência, mas reflete a luta por protagonismo político em um cenário de fragmentação partidária e desgaste institucional.

Procurado pela reportagem, o senador Renan Calheiros não se manifestou até o fechamento desta edição. A assessoria do parlamentar informou que ele está em Brasília participando de reuniões da base aliada e que, em breve, deve se posicionar sobre o assunto. Enquanto isso, a oposição promete intensificar a pressão para que a CPI seja instalada, com novos apelos públicos e articulações nos bastidores do Congresso.

Fonte: ver noticia original

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *