Uma investigação da Polícia Civil de Santa Catarina revelou um esquema de corrupção eleitoral em que eleitores recebiam porções de cocaína avaliadas em R$ 50 para votar em um candidato a vereador de Timbé do Sul, no Sul catarinense. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (4). As apurações começaram entre 2021 e 2022, durante uma outra investigação sobre tráfico de drogas no município.

O esquema, que envolvia a troca direta de entorpecentes por votos, expõe a fragilidade do sistema eleitoral em regiões onde o crime organizado atua com capilaridade. A Polícia Civil identificou que as porções de cocaína eram entregues a eleitores em troca de apoio ao candidato, configurando crime de corrupção eleitoral e tráfico de drogas.

Detalhes da investigação

De acordo com os investigadores, a operação teve início a partir de denúncias anônimas e do monitoramento de atividades suspeitas em Timbé do Sul, cidade com cerca de 5 mil habitantes. Durante as apurações, a polícia conseguiu rastrear a origem das drogas e os contatos entre o candidato e os eleitores. As porções de cocaína, avaliadas em R$ 50 cada, eram distribuídas em pontos de venda controlados pelo esquema.

O candidato a vereador, cujo nome não foi divulgado pela polícia, é investigado por corrupção eleitoral, tráfico de drogas e associação criminosa. A Polícia Civil não descarta a participação de outros políticos locais no esquema, que pode ter ramificações em outras cidades da região Sul catarinense.

Panorama político e impacto

O caso ocorre em um contexto de crescente preocupação com a influência do crime organizado nas eleições municipais brasileiras. Em 2024, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou um aumento de 30% nas denúncias de compra de votos em comparação com o pleito anterior, com destaque para regiões onde o tráfico de drogas é mais ativo. A utilização de entorpecentes como moeda de troca eleitoral é uma prática que vem sendo observada em investigações recentes, especialmente em pequenos municípios do interior.

Especialistas em segurança pública alertam que a combinação de tráfico de drogas e corrupção eleitoral cria um ciclo vicioso: o crime organizado financia campanhas para obter proteção política, enquanto candidatos usam recursos ilícitos para garantir votos. Em Timbé do Sul, a Polícia Civil trabalha para identificar todos os envolvidos e responsabilizá-los criminalmente.

A investigação segue em sigilo, mas a polícia já solicitou à Justiça Eleitoral a quebra de sigilos bancário e telefônico do candidato e de outros suspeitos. A população de Timbé do Sul aguarda o desfecho do caso, que pode ter implicações diretas na próxima eleição municipal.

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