Uma investigação da Polícia Federal revelou que eleitores recebiam porções de cocaína como pagamento por votos em um candidato a vereador no Sul de Santa Catarina. O esquema, que mistura tráfico de drogas e corrupção eleitoral, foi descoberto durante operação que apurava a atuação de uma organização criminosa na região. A troca de entorpecentes por apoio político expõe a fragilidade do sistema eleitoral local e levanta alerta sobre a infiltração do crime organizado nas campanhas municipais.
De acordo com as investigações, a droga era distribuída em porções individuais para eleitores que se comprometiam a votar no candidato investigado. A prática, conhecida como “compra de votos com drogas”, foi flagrada por meio de escutas telefônicas e depoimentos de testemunhas. O esquema teria ocorrido durante as eleições municipais de 2024, mas os detalhes só vieram a público agora, com a conclusão da primeira fase da apuração.
Detalhes do esquema e valores envolvidos
As porções de cocaína eram entregues em pontos de encontro previamente combinados, muitas vezes em bairros periféricos das cidades do Sul catarinense. O valor estimado de cada porção variava entre R$ 50 e R$ 100, dependendo da pureza e da quantidade. A investigação aponta que o candidato a vereador, cujo nome não foi divulgado pela Polícia Federal, teria financiado a compra da droga com recursos de campanha não declarados. A ação configura crime de corrupção eleitoral, previsto no artigo 299 do Código Eleitoral, além de tráfico de drogas.
O caso ganhou repercussão nacional por expor uma modalidade inédita de aliciamento de eleitores. “É a primeira vez que identificamos a troca direta de cocaína por votos em Santa Catarina”, afirmou o delegado responsável pela operação, em entrevista coletiva. A Polícia Federal também apreendeu celulares, anotações e uma quantia em dinheiro não especificada durante as buscas.
Panorama político e impacto regional
O esquema ocorre em um contexto de crescente preocupação com a influência do crime organizado nas eleições municipais. Em Santa Catarina, a disputa por vagas nas câmaras municipais tem sido marcada por denúncias de compra de votos, uso de caixa dois e alianças com facções criminosas. O caso do Sul do estado reforça a necessidade de fiscalização mais rigorosa por parte da Justiça Eleitoral e das forças de segurança.
Especialistas em direito eleitoral apontam que a troca de drogas por votos é uma evolução das práticas tradicionais de corrupção, como a distribuição de cestas básicas ou dinheiro. “Isso mostra que o crime organizado está se adaptando às novas realidades políticas, usando entorpecentes como moeda de troca para garantir apoio eleitoral”, avaliou o cientista político Carlos Alberto de Oliveira, da Universidade Federal de Santa Catarina. A situação também levanta dúvidas sobre a capacidade de candidatos honestos competirem em um ambiente onde o tráfico financia campanhas.
A Polícia Federal continua as investigações para identificar outros envolvidos, incluindo possíveis financiadores do esquema e eleitores que receberam as porções. O candidato a vereador investigado pode ser denunciado por corrupção eleitoral, tráfico de drogas e associação criminosa, com penas que somam até 15 anos de prisão. O caso também deve ser analisado pelo Ministério Público Eleitoral, que pode pedir a cassação do registro de candidatura e a inelegibilidade do envolvido.
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