Em uma reunião registrada que já circula nos bastidores políticos, Eduardo Bolsonaro colocou sua digital contra o Pix, o sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central, e propôs negociar com os Estados Unidos a adoção do Zelle, um sistema privado de transferências operado por bancos americanos. A informação foi revelada pela coluna de Adriana Fernandes, na Folha de S.Paulo, em 6 de maio de 2026. O episódio expõe uma ofensiva coordenada de setores políticos contra o Pix, que se tornou alvo de críticas e desinformação nos últimos meses, especialmente após tentativas de regulamentação e fiscalização.
De acordo com a gravação, Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal cassado, sugeriu que o Brasil adotasse o Zelle como alternativa ao Pix, argumentando que o sistema americano seria mais alinhado aos interesses do mercado financeiro e menos sujeito a controles estatais. A proposta foi feita durante uma reunião com representantes de setores empresariais e políticos, cujo conteúdo foi registrado e posteriormente vazado. O ex-deputado, que atualmente reside nos Estados Unidos, já vinha atuando como interlocutor entre grupos conservadores brasileiros e autoridades americanas, especialmente em temas econômicos e de segurança.
Impactos e reações
A revelação ocorre em um momento de intenso debate sobre o futuro do Pix, que desde sua implementação em 2020 se tornou o principal meio de pagamento do país, com mais de 150 milhões de usuários. Nos últimos meses, o sistema foi alvo de ataques de setores políticos que alegam supostos riscos à privacidade e à liberdade econômica, embora o Banco Central e especialistas em segurança digital afirmem que o Pix é seguro e auditável. A proposta de Eduardo Bolsonaro de substituí-lo por um sistema privado estrangeiro gerou reações imediatas de parlamentares da base governista e de entidades de defesa do consumidor, que veem na medida uma tentativa de enfraquecer a soberania financeira nacional.
O Zelle, embora popular nos Estados Unidos, opera sob regras de instituições financeiras privadas e não possui o mesmo nível de cobertura e gratuidade do Pix, que é gratuito para pessoas físicas e pequenos negócios. Especialistas apontam que a adoção de um sistema estrangeiro poderia aumentar custos para os consumidores brasileiros e criar dependência tecnológica em relação a bancos americanos. Além disso, a negociação com os Estados Unidos envolveria acordos bilaterais complexos, que poderiam impactar a regulação do sistema financeiro nacional.
Panorama político
O episódio insere-se em um contexto mais amplo de polarização política e econômica no Brasil. Desde o governo anterior, o Pix foi transformado em símbolo de eficiência estatal, mas também em alvo de críticas de setores que defendem a desregulamentação e a privatização de serviços públicos. A atuação de Eduardo Bolsonaro, mesmo após sua cassação, mostra que ele mantém influência sobre grupos políticos e econômicos que buscam minar políticas implementadas por governos anteriores. A gravação da reunião, cuja autenticidade foi confirmada por fontes próximas à coluna, deve ampliar as investigações sobre possíveis articulações para desestabilizar o sistema financeiro brasileiro.
Até o fechamento desta edição, nem Eduardo Bolsonaro nem representantes do governo brasileiro se manifestaram oficialmente sobre o conteúdo da gravação. A Folha de S.Paulo informou que o caso será acompanhado por órgãos de fiscalização e que novas revelações podem surgir nos próximos dias. O debate sobre o futuro do Pix, portanto, ganha novos contornos, colocando em xeque a segurança e a independência do sistema de pagamentos nacional.
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