O fluxo de investimentos dos Estados Unidos em empresas brasileiras tombou 29% em 2025, ano marcado pela entrada em vigor das tarifas de 50% impostas pelo governo do presidente Donald Trump ao Brasil, conforme dados oficiais divulgados nesta quinta-feira (5). A queda, puxada pelo setor de serviços, representa o maior recuo anual desde 2020 e acende alertas sobre os efeitos da política protecionista americana sobre a economia brasileira.
De acordo com relatório do Banco Central do Brasil, os investimentos diretos dos EUA no país somaram US$ 8,2 bilhões nos primeiros cinco meses de 2025, contra US$ 11,5 bilhões no mesmo período de 2024. O setor de serviços, que historicamente responde por cerca de 60% do fluxo, registrou uma contração de 35%, com destaque para áreas como tecnologia da informação, consultoria e logística. Já os setores industrial e agrícola tiveram quedas menores, de 12% e 8%, respectivamente.
Impacto das tarifas e panorama político
As tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, anunciadas por Trump em janeiro de 2025 como parte de sua política de “America First”, entraram em vigor em março, afetando principalmente exportações de aço, alumínio e carne. Especialistas apontam que a medida gerou incertezas no ambiente de negócios, levando empresas americanas a adiar ou cancelar planos de expansão no Brasil. “O tarifaço criou um clima de desconfiança que vai além do comércio, impactando diretamente os investimentos de longo prazo”, afirmou Carlos Alberto Pereira, economista da FGV, em entrevista ao Republica do Povo.
No cenário político, a queda ocorre em meio a tensões diplomáticas entre os dois países. O governo brasileiro, liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, buscou negociar uma redução das tarifas, mas as conversas não avançaram. Enquanto isso, o Congresso Nacional aprovou medidas de reciprocidade comercial, como a elevação de impostos sobre produtos americanos, o que pode agravar ainda mais o cenário. A situação reflete um momento de reconfiguração das relações bilaterais, com impactos diretos na geração de empregos e no crescimento econômico brasileiro.
Para analistas, a retração nos investimentos americanos é um sinal de alerta para a diversificação da economia brasileira. “Precisamos reduzir a dependência de um único parceiro comercial e buscar novos mercados, como a China e a União Europeia”, destacou Mariana Silva, professora de relações internacionais da USP. Enquanto isso, o governo Trump sinaliza que novas tarifas podem ser anunciadas, o que mantém o clima de incerteza para os próximos meses.
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