Seleção Feminina enfrenta EUA em amistoso de peso na Neo Química Arena; ingressos e transmissão ao vivo

A Seleção Brasileira Feminina enfrenta os Estados Unidos neste sábado (26), às 16h (horário de Brasília), na Neo Química Arena, em São Paulo, em mais um amistoso preparatório para a Copa do Mundo Feminina de 2027. O confronto, que reúne duas das maiores potências do futebol feminino mundial, terá transmissão ao vivo pela TV Globo (para todo o Brasil) e pelo Sportv (canal fechado), além de cobertura em tempo real no portal Republica do Povo. A partida marca o segundo encontro entre as equipes em 2026 – o primeiro, em abril, terminou em empate por 1 a 1 em Orlando (EUA).

O amistoso é visto pela comissão técnica brasileira como um termômetro decisivo para o ciclo da Copa do Mundo, já que os Estados Unidos são atuais bicampeões mundiais (2015 e 2019) e lideram o ranking da FIFA. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) confirmou que a partida terá portões abertos para 48 mil torcedores, com ingressos esgotados para os setores leste e oeste desde a última quarta-feira. Os valores variaram entre R$ 40 (meia-entrada para setor norte) e R$ 120 (inteira para setor sul), com renda estimada em R$ 2,8 milhões, que será destinada a programas de desenvolvimento do futebol feminino de base.

Panorama político e econômico do futebol feminino

O duelo ocorre em meio a um cenário de crescimento do futebol feminino no Brasil, impulsionado por políticas públicas e investimentos privados. Em 2025, o governo federal anunciou um pacote de R$ 150 milhões para a modalidade, via Lei de Incentivo ao Esporte, com foco em escolinhas, competições regionais e melhoria de infraestrutura. No entanto, críticos apontam que o valor ainda é insuficiente diante do orçamento de R$ 1,2 bilhão destinado ao futebol masculino no mesmo período. A FIFA, por sua vez, destinou US$ 50 milhões (cerca de R$ 250 milhões) para o desenvolvimento do futebol feminino nas confederações filiadas, com o Brasil sendo um dos maiores beneficiados, recebendo US$ 8 milhões para projetos até 2027.

O amistoso também reflete a disputa geopolítica entre Brasil e Estados Unidos no esporte. Enquanto a seleção americana conta com uma liga profissional consolidada (NWSL) e salários médios de US$ 60 mil por ano, a realidade brasileira ainda enfrenta desafios como a falta de calendário unificado e a disparidade salarial – as jogadoras da Série A1 do Brasileirão Feminino recebem, em média, R$ 8 mil mensais, contra R$ 120 mil dos atletas da Série A masculina. A partida na Neo Química Arena, com capacidade para 49 mil pessoas, é vista como um teste de popularidade: a média de público dos amistosos femininos no Brasil em 2025 foi de 22 mil torcedores, mas a expectativa é que este jogo ultrapasse 40 mil pagantes.

Impacto na preparação para a Copa de 2027

Para a técnica Pia Sundhage, o confronto serve para avaliar o entrosamento do time titular, que deve ter mudanças em relação ao último amistoso. A CBF confirmou que a escalação inicial terá Lorena (goleira), Tamires (lateral-esquerda) e Debinha (atacante) como destaques. Do lado americano, a técnica Vlatko Andonovski convocou nomes como Alex Morgan e Megan Rapinoe, ambas veteranas que podem ser titulares. O jogo também é estratégico para o ranking da FIFA: uma vitória brasileira pode render até 15 pontos, aproximando o Brasil do top 5 (atualmente em 7º lugar).

O evento ocorre em um momento de tensão política entre os dois países, após declarações do presidente brasileiro sobre tarifas comerciais e a crise migratória na fronteira sul dos EUA. No entanto, o amistoso não deve ser palco de manifestações políticas, segundo a Federação Paulista de Futebol (FPF), que organiza o evento. A segurança será reforçada com 600 policiais militares e 200 seguranças privados, além de revistas eletrônicas nos acessos. A Neo Química Arena também implementou um sistema de reconhecimento facial para evitar a entrada de torcedores com histórico de violência.

Para quem não conseguir comparecer ao estádio, a transmissão ao vivo estará disponível em bares e restaurantes de São Paulo, que preveem aumento de 30% no faturamento durante o jogo, segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). No entanto, a inflação acumulada de 4,2% em 2026 pesa no bolso dos torcedores: o preço médio de um combo de petiscos e bebidas em bares da capital paulista subiu 12% em relação ao mesmo período de 2025, conforme pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A partida também terá cobertura internacional, com transmissão para 120 países pela ESPN e pela FIFA+, plataforma de streaming da entidade.

O amistoso Brasil x Estados Unidos é o primeiro de uma série de cinco jogos preparatórios para a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será sediada no Brasil. Os próximos confrontos serão contra Alemanha (em setembro, em Berlim) e Japão (em outubro, em Tóquio). A CBF espera que a partida deste sábado ajude a consolidar o futebol feminino como um produto comercial viável, com potencial de gerar R$ 500 milhões em receitas até 2030, segundo estudo da FGV. Para os torcedores, resta a expectativa de um grande espetáculo e a chance de ver de perto as melhores jogadoras do mundo em ação.

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