Estagnação econômica global ameaça empregos mais que inteligência artificial, alerta historiador

A verdadeira má notícia para o mercado de trabalho não é o alardeado poder destruidor da inteligência artificial, mas uma economia global estagnada, que perdeu a capacidade de gerar muitas vagas por causa do crescimento do peso dos serviços, com avanço lento da produtividade, segundo alerta de um historiador especializado em economia.

Em análise publicada pela Folha de S.Paulo em 6 de maio de 2026, o historiador argumenta que o debate público tem se concentrado excessivamente nos riscos da automação e da inteligência artificial, enquanto o verdadeiro desafio estrutural é a desaceleração econômica global. Dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) indicam que o crescimento mundial permanece abaixo de 3% ao ano desde 2020, patamar insuficiente para absorver a força de trabalho em expansão em diversas regiões.

O peso do setor de serviços e a produtividade estagnada

O historiador destaca que o setor de serviços, que hoje responde por mais de 65% do PIB global, tem produtividade inferior à da indústria e da agricultura, o que limita a criação de empregos de alta qualidade. Enquanto a inteligência artificial pode eliminar funções repetitivas, a estagnação econômica reduz a demanda agregada, levando empresas a cortar vagas mesmo em setores não automatizados. Estudo do Banco Mundial mostra que a produtividade total dos fatores cresceu apenas 0,5% ao ano na última década, contra 1,8% nos anos 1990.

O impacto é sentido especialmente em economias emergentes, como o Brasil, onde a informalidade atinge 40% da força de trabalho. A falta de investimentos em infraestrutura e educação agrava o quadro, segundo o historiador, que cita dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT): o desemprego global deve subir para 5,8% em 2026, com 210 milhões de pessoas sem trabalho.

Panorama político e econômico

O alerta do historiador ocorre em um contexto de tensões geopolíticas e políticas fiscais restritivas em várias economias centrais. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve manteve juros elevados para conter a inflação, enquanto a União Europeia enfrenta uma crise energética que reduz a competitividade industrial. No Brasil, o governo debate reformas tributárias e trabalhistas para tentar reverter a estagnação, mas o historiador ressalta que medidas isoladas são insuficientes sem coordenação global.

Ele conclui que a inteligência artificial, embora disruptiva, não é a principal ameaça aos empregos. “O inimigo real é a falta de crescimento econômico, que sufoca a inovação e a criação de novas oportunidades”, afirma. A reportagem original, disponível no site da Folha de S.Paulo, foi publicada em 6 de maio de 2026, às 23h00, e pode ser acessada pelo link: https://redir.folha.com.br/redir/online/mercado/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/06/estagnacao-economica-ameaca-empregos-mais-que-ia-diz-historiador.shtml.

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