A Raízen confirmou, por meio da publicação de um fato relevante nesta sexta-feira (5), um acordo de reestruturação extrajudicial com a maioria de seus credores, envolvendo uma dívida total de R$ 64,7 bilhões. O acordo evita que a empresa passe para uma recuperação judicial — a Raízen precisava obter a aprovação de uma maioria simples, de 50% mais um, para validar o plano.
O montante de R$ 64,7 bilhões representa uma das maiores reestruturações de dívida do setor privado brasileiro nos últimos anos. A negociação envolveu bancos, fundos de investimento e outros credores financeiros, que aceitaram alongar prazos e renegociar condições de pagamento. A empresa, controlada pela Cosan e pela Shell, atua nos segmentos de açúcar, etanol, energia elétrica e biocombustíveis.
Panorama político e econômico
O acordo ocorre em um contexto de aperto monetário e alta da dívida corporativa no Brasil. Nos últimos meses, o governo federal tem discutido medidas para facilitar renegociações de débitos de empresas estratégicas, especialmente nos setores de energia e infraestrutura. A Raízen, como uma das maiores companhias do país, é vista como termômetro da saúde financeira do agronegócio e do setor sucroenergético.
Especialistas apontam que a reestruturação extrajudicial, sem necessidade de intervenção judicial, sinaliza maturidade do mercado de crédito brasileiro e capacidade de negociação entre as partes. A aprovação da maioria simples dos credores foi suficiente para evitar um processo mais longo e custoso, que poderia impactar fornecedores, funcionários e acionistas.
O fato relevante divulgado pela Raízen destaca que o acordo foi homologado em assembleia de credores e já está em vigor. A empresa não detalhou os novos prazos ou taxas de juros, mas afirmou que a medida garante a continuidade das operações e a manutenção dos investimentos previstos para os próximos anos.
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