A Polícia Civil de Alagoas deflagrou, nesta quarta-feira (12), uma nova fase da operação que investiga um esquema de desvio de recursos públicos estimado em R$ 150 milhões. A ação, que cumpriu mandados de busca e apreensão contra uma aliada do prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC), aprofunda as investigações sobre uma rede de corrupção que teria desviado verbas da saúde e da educação no município.
De acordo com as investigações, a suspeita, cujo nome não foi divulgado, é apontada como peça-chave no esquema, atuando na intermediação de contratos superfaturados com empresas de fachada. O montante desviado, de R$ 150 milhões, corresponde a cerca de 10% do orçamento anual da Secretaria Municipal de Saúde e Educação, segundo fontes da Polícia Civil. A operação, batizada de “Mãos Limpas”, já resultou na prisão de outros três investigados em fases anteriores, incluindo um ex-secretário municipal e um empresário do ramo de tecnologia.
Esquema de contratos superfaturados e lavagem de dinheiro
As investigações apontam que o esquema funcionava por meio de licitações fraudulentas para a contratação de serviços de informática e fornecimento de materiais hospitalares. As empresas vencedoras, muitas delas com sede em endereços residenciais, emitiam notas fiscais superfaturadas e repassavam parte dos valores para agentes públicos e intermediários. A Polícia Civil estima que, entre 2021 e 2024, foram desviados pelo menos R$ 150 milhões, valor que pode aumentar com a análise de documentos apreendidos.
A suspeita, que ocupava cargo de confiança na administração municipal, é investigada por crimes de peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Em nota, a Prefeitura de Maceió afirmou que “colabora com as investigações” e que “não compactua com desvios de recursos públicos”. No entanto, a operação expõe a fragilidade dos mecanismos de controle interno no município, que já foi alvo de outras denúncias de corrupção nos últimos anos.
Panorama político e reações
A operação ocorre em meio a um cenário de tensão política em Maceió, onde o prefeito JHC enfrenta pressão da oposição e de movimentos sociais por maior transparência na gestão. O esquema de R$ 150 milhões é o maior já investigado na cidade desde a operação “Lava Jato”, que revelou desvios na Petrobras. A oposição, liderada pelo vereador Silvio Camelo (PT), já protocolou um pedido de abertura de CPI na Câmara Municipal para investigar as denúncias.
Enquanto isso, a Polícia Civil continua as investigações e não descarta novas fases da operação. O caso também chama a atenção para a necessidade de fortalecimento dos órgãos de controle, como o Tribunal de Contas do Estado e o Ministério Público, que atuam em conjunto com a polícia. A população de Maceió, que já sofre com a precariedade dos serviços públicos, aguarda respostas sobre o destino dos recursos desviados.
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