Um homem de 28 anos foi preso nesta sexta-feira (5) suspeito de atirar contra a residência da ex-companheira e ameaçar a mulher e familiares dela em Palmeira dos Índios, no Agreste de Alagoas. A prisão ocorreu após investigações da Polícia Civil, que apontaram o suspeito como autor dos disparos e das ameaças, em um contexto de violência doméstica que se arrastava há semanas. O caso, registrado pela Alagoas 24 Horas, expõe mais uma vez as fragilidades do sistema de proteção às vítimas no estado e reacende o debate sobre a efetividade das medidas protetivas.
De acordo com as investigações, o crime ocorreu na noite de quinta-feira (4), quando o suspeito teria se deslocado até a casa da ex-companheira, em um bairro periférico da cidade, e efetuado disparos de arma de fogo contra a fachada do imóvel. Em seguida, ele teria feito ameaças diretas à mulher e a familiares que estavam no local, prometendo novos ataques. A vítima, que já havia registrado boletim de ocorrência anteriormente, acionou a polícia, que iniciou diligências e conseguiu localizar o homem na manhã de sexta-feira, em uma residência vizinha.
O suspeito foi encaminhado à Delegacia Regional de Palmeira dos Índios, onde permanece à disposição da Justiça. A arma utilizada no crime, um revólver calibre 38, foi apreendida e passará por perícia. A Polícia Civil informou que o homem já possuía passagens por ameaça e lesão corporal, mas não havia mandado de prisão em aberto até o momento do ataque. O caso será investigado como tentativa de feminicídio, ameaça e porte ilegal de arma de fogo.
Panorama da violência doméstica em Alagoas
O episódio em Palmeira dos Índios ocorre em um contexto alarmante: segundo dados da Secretaria de Segurança Pública de Alagoas, o estado registrou, apenas em 2024, mais de 12 mil denúncias de violência doméstica, com um aumento de 15% em relação ao ano anterior. A região Agreste, onde está localizada a cidade, concentra cerca de 20% desses casos, com destaque para municípios como Arapiraca e Palmeira dos Índios. Especialistas apontam que a falta de efetividade das medidas protetivas, a demora no cumprimento de mandados de prisão e a subnotificação são fatores que contribuem para a perpetuação da violência.
Organizações de defesa dos direitos das mulheres, como o Instituto Maria da Penha e a Rede de Enfrentamento à Violência contra a Mulher de Alagoas, têm cobrado do governo estadual e do Judiciário ações mais rápidas e integradas. Em nota, a Delegacia da Mulher de Palmeira dos Índios afirmou que reforçou o patrulhamento na região e que está acompanhando o caso de perto, mas reconheceu que a estrutura atual é insuficiente para atender a demanda crescente.
O caso também levanta questionamentos sobre a atuação do sistema de justiça criminal: o suspeito, apesar de histórico de violência, não estava sob monitoramento eletrônico ou com medidas protetivas ativas. A Defensoria Pública de Alagoas informou que a vítima havia solicitado medida protetiva há duas semanas, mas o processo ainda tramitava na vara criminal local. A lentidão burocrática, aliada à falta de recursos para monitoramento, é apontada por juristas como um dos principais gargalos na proteção às vítimas.
Enquanto isso, a comunidade de Palmeira dos Índios vive sob tensão. Vizinhos relataram à reportagem que o suspeito já havia sido visto rondando a casa da ex-companheira nos dias anteriores, e que a polícia foi acionada ao menos três vezes, sem que houvesse prisão. A situação expõe a necessidade de políticas públicas mais eficazes, como a ampliação das rondas policiais em áreas de risco, a criação de abrigos temporários e a agilização dos processos judiciais. O governo de Alagoas, por meio da Secretaria de Estado da Mulher e dos Direitos Humanos, anunciou recentemente um plano de fortalecimento da rede de atendimento, mas ainda sem previsão de implementação concreta.
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