Ponte de R$ 36 milhões desaba no Acre e deixa quatro feridos; polícia abre investigação

Uma ponte avaliada em R$ 36 milhões desabou no Acre nesta quarta-feira, deixando quatro pessoas feridas, duas delas em estado grave. A estrutura, inaugurada há pouco mais de dois anos, estava interditada por risco de desabamento, mas ainda assim foi utilizada por moradores da região. O Ministério Público e a Polícia Civil abriram investigação para apurar as causas do acidente, que gerou comoção e críticas à fiscalização de obras públicas no estado.

O desabamento ocorreu por volta das 14h, no município de Feijó, a cerca de 400 km da capital Rio Branco. Imagens de câmeras de segurança flagraram o momento exato em que a ponte cedeu, enquanto um veículo e pelo menos duas pessoas estavam sobre a estrutura. Os feridos foram resgatados por equipes do Corpo de Bombeiros e encaminhados ao hospital local. Dois deles, com fraturas e traumatismos, foram transferidos para unidades de referência em Rio Branco.

Panorama político e fiscalização

O acidente reacende o debate sobre a qualidade das obras de infraestrutura no Acre, especialmente aquelas financiadas com recursos federais. A ponte, construída com verba do Governo Federal e gerida pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Acre (DER-AC), havia sido vistoriada há menos de um mês, quando foi constatado risco iminente de colapso. Apesar da interdição, moradores relataram que a estrutura continuava sendo usada por falta de rotas alternativas.

O Ministério Público do Acre (MP-AC) já havia aberto um inquérito civil em 2025 para apurar denúncias de irregularidades na construção, incluindo suspeitas de uso de materiais de baixa qualidade e superfaturamento. Agora, com o desabamento, a Polícia Civil instaurou um inquérito criminal para investigar responsabilidades. O Governo do Acre, em nota, lamentou o ocorrido e afirmou que prestará assistência às vítimas, enquanto o DER-AC prometeu revisar todos os contratos de obras em andamento.

Especialistas em engenharia consultados pela reportagem apontam que o caso é emblemático de um problema crônico no país: a falta de manutenção e o descaso com alertas técnicos. “Uma ponte de R$ 36 milhões não deveria ruir em dois anos. Isso indica falhas graves desde o projeto até a execução”, afirmou o engenheiro Carlos Mendes, da Universidade Federal do Acre (UFAC). A situação também levanta questionamentos sobre a atuação dos órgãos de controle, que não impediram o uso da ponte mesmo após a interdição.

Enquanto as investigações prosseguem, a população de Feijó enfrenta dificuldades de locomoção, dependendo de balsas e estradas vicinais para cruzar o Rio Envira. O Governo Federal anunciou o envio de técnicos do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) para avaliar a situação e liberar recursos emergenciais. O caso, que já ganhou repercussão nacional, deve ser pauta de audiência pública na Assembleia Legislativa do Acre nos próximos dias.

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