Peru vai às urnas neste domingo para eleger 9º presidente em uma década de crise institucional

O Peru realiza neste domingo, 26 de junho de 2026, o segundo turno das eleições presidenciais, que definirá o 9º presidente do país em apenas uma década. A disputa entre Keiko Fujimori, do partido Fuerza Popular, e Roberto Sánchez, da coligação Juntos pelo Peru, ocorre em um cenário de profunda instabilidade política, marcado por renúncias, destituições e sucessivas trocas no comando do Executivo.

Desde 2016, o país andino enfrenta uma crise institucional que resultou na queda de quatro presidentes: Pedro Pablo Kuczynski (renunciou em 2018), Martín Vizcarra (destituído em 2020), Manuel Merino (renunciou após cinco dias no cargo) e Pedro Castillo (destituído em 2022). A esse cenário somam-se as gestões interinas de Francisco Sagasti e Dina Boluarte, que assumiu após a queda de Castillo e governa até a posse do novo mandatário.

A eleição deste domingo ocorre em meio a denúncias de corrupção, baixa confiança nas instituições e forte polarização política. Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, condenado por crimes contra os direitos humanos, busca retornar ao poder após três tentativas frustradas. Já Roberto Sánchez, ex-ministro do Trabalho no governo de Pedro Castillo, representa a esquerda peruana e promete reformas sociais e combate à desigualdade.

O pleito é acompanhado de perto por organismos internacionais, como a Organização dos Estados Americanos (OEA), que enviou uma missão de observação eleitoral. A expectativa é de que o resultado seja conhecido ainda na noite deste domingo, mas analistas preveem uma disputa acirrada, com possibilidade de novo período de incertezas políticas no país.

Para especialistas, a eleição não resolve a crise de governabilidade peruana, que tem raízes na fragmentação partidária, no enfraquecimento do Congresso e na judicialização da política. O novo presidente enfrentará desafios imediatos, como a retomada econômica pós-pandemia, o combate à criminalidade e a reconstrução da confiança nas instituições democráticas.

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