Reforma Tributária Impulsiona Interesse na Zona Franca de Manaus e Projeta Aumento de 30% no Número de Empresas

A reforma tributária em tramitação no Congresso Nacional já provoca efeitos concretos na economia: o número de empresas interessadas em operar na ZFM (Zona Franca de Manaus) deve crescer 30%, conforme projeção da autarquia federal que gerencia os incentivos fiscais da região. O movimento, registrado nos primeiros meses de 2026, reflete a busca por segurança jurídica e vantagens competitivas diante das novas regras de tributação sobre o consumo.

De acordo com a Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), o aumento no interesse empresarial está diretamente ligado à manutenção dos benefícios fiscais do modelo de desenvolvimento regional, mesmo com a unificação de impostos como o ICMS e o IPI. A reforma, que ainda aguarda regulamentação, prevê a criação do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), mas mantém alíquotas diferenciadas para a Zona Franca, garantindo competitividade ao polo industrial amazonense.

Panorama político e econômico

A movimentação ocorre em um cenário de intenso debate federativo. Enquanto estados do Sul e Sudeste pressionam por redução de incentivos regionais, o governo federal e lideranças do Amazonas defendem a Zona Franca como instrumento de desenvolvimento e preservação ambiental. A expectativa da Suframa é que, com a reforma, o número de empresas instaladas na região salte das atuais 600 para cerca de 780 nos próximos dois anos, gerando empregos diretos e indiretos e ampliando a arrecadação local.

Entre os setores mais beneficiados estão o de eletroeletrônicos, duas rodas e químico, que já concentram grande parte da produção local. A Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros) estima que a reforma pode reduzir em até 15% os custos tributários para as empresas instaladas na Zona Franca, desde que a regulamentação preserve os atuais mecanismos de compensação.

Apesar do otimismo, especialistas alertam para riscos. O Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) aponta que a transição para o novo sistema pode gerar insegurança jurídica temporária, especialmente se houver atraso na aprovação de leis complementares. Já o Fórum dos Governadores da Amazônia Legal defende que a reforma seja acompanhada de políticas de desenvolvimento regional para evitar a concentração de investimentos apenas no Amazonas.

A Folha de S.Paulo teve acesso ao relatório da Suframa que embasa a projeção de crescimento de 30%. O documento, datado de junho de 2026, será apresentado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços como subsídio para a regulamentação da reforma tributária. A expectativa é que o texto final da reforma seja votado no Senado ainda neste semestre.

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