A fabricação de carros elétricos emite até três vezes mais gases do efeito estufa em relação à manufatura de veículos a combustão, fazendo com que automóveis movidos a bateria precisem percorrer distâncias maiores para compensar a diferença e trazer benefícios ao meio ambiente. A constatação é de um estudo veiculado pela Folha de S.Paulo em 9 de junho de 2026, que analisa o ciclo de vida completo dos veículos, da produção ao uso.
Segundo a reportagem, o processo de fabricação de baterias e componentes elétricos é intensivo em energia e matéria-prima, resultando em emissões iniciais significativamente maiores. Enquanto um carro a combustão emite cerca de 5 a 6 toneladas de CO₂ durante a produção, um elétrico pode chegar a 15 a 18 toneladas, dependendo da fonte de energia utilizada na fábrica e da origem dos materiais, como lítio e cobalto.
Impacto no panorama ambiental e político
O debate sobre a transição energética ganha novos contornos com esses dados. Embora os veículos elétricos não emitam poluentes durante o uso, a pegada de carbono inicial exige que eles rodem entre 50 mil e 80 mil quilômetros para que as emissões totais se igualem às de um carro a combustão. Após esse ponto, o benefício ambiental se consolida, especialmente se a eletricidade usada para recarga for de fontes renováveis.
No cenário político brasileiro, a discussão ocorre em meio a pressões da indústria automotiva por incentivos fiscais e subsídios para a produção local de veículos elétricos. O governo federal, sob a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem defendido a descarbonização da frota, mas enfrenta resistência de setores que apontam os custos elevados e a infraestrutura de recarga insuficiente. Parlamentares da oposição, como o deputado Kim Kataguiri, questionam a eficácia ambiental dos elétricos diante dos dados de emissões na fabricação.
Especialistas consultados pela Folha de S.Paulo destacam que a solução não é abandonar os elétricos, mas sim acelerar a descarbonização da cadeia produtiva e investir em energia limpa. A Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) defende que, com o avanço tecnológico e a reciclagem de baterias, o ponto de equilíbrio ambiental pode ser reduzido para cerca de 30 mil quilômetros nos próximos anos.
O estudo reforça a necessidade de políticas públicas integradas, que considerem todo o ciclo de vida dos veículos, e não apenas as emissões durante o uso. Enquanto isso, consumidores e formuladores de políticas devem ponderar os custos ambientais de curto prazo em relação aos benefícios de longo prazo, em um contexto de urgência climática global.
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