A Ordem dos Advogados do Brasil em Alagoas (OAB/AL), por meio de sua Comissão Especial da Pessoa Idosa, divulgou nesta terça-feira (9) um balanço preocupante sobre a violência no estado. Em 2025, foram contabilizados 37 assassinatos de pessoas idosas, sendo que quase 80% das ocorrências se concentraram em municípios do interior, especialmente em zonas rurais, revelando um padrão de vulnerabilidade que transcende a capital e expõe fragilidades na rede de proteção social.
Os dados, coletados a partir de registros oficiais e denúncias encaminhadas à comissão, indicam que a maioria das vítimas tinha mais de 70 anos e residia em áreas afastadas dos centros urbanos, onde o acesso a serviços de segurança, saúde e assistência social é limitado. A OAB/AL destacou que o número de homicídios já supera o total registrado em todo o ano de 2024, o que configura um aumento alarmante e acende um alerta para a necessidade de ações urgentes.
Interior concentra violência e revela abandono
O levantamento aponta que cidades como Palmeira dos Índios, Arapiraca e União dos Palmares lideram os casos, mas a violência se espalha por dezenas de municípios do Sertão, Agreste e Zona da Mata. Em muitas dessas localidades, os assassinatos ocorreram em contextos de conflitos fundiários, disputas familiares por herança ou mesmo em decorrência de negligência e abandono por parte de cuidadores. A presidente da Comissão Especial da Pessoa Idosa, Dra. Maria Aparecida Silva, afirmou que “os números refletem uma realidade cruel: o idoso no interior de Alagoas está desprotegido, muitas vezes invisível para o poder público e alvo fácil de criminosos que enxergam neles fragilidade e impunidade”.
Além dos homicídios, a comissão registrou um aumento de 45% nas denúncias de violência doméstica contra idosos, incluindo agressões físicas, psicológicas e financeiras. Casos como o de Paulo Jacinto, onde um homem foi preso em flagrante após ameaçar a própria mãe, e o de um foragido capturado em uma festa após ameaçar uma idosa em Alagoas, ilustram a escalada da violência que atinge a terceira idade. Esses episódios, amplamente divulgados pela imprensa local, mostram que o problema não se restringe a assassinatos, mas abrange uma gama de abusos que muitas vezes passam despercebidos.
Panorama político e social acende alerta
O cenário de violência contra idosos em Alagoas insere-se em um contexto mais amplo de crise na segurança pública e de fragilidade das políticas de assistência social no estado. Especialistas apontam que a falta de delegacias especializadas, a carência de abrigos e centros de convivência, e a insuficiência de campanhas educativas contribuem para a perpetuação dos abusos. A OAB/AL cobrou do governo estadual e das prefeituras a implementação de medidas previstas no Estatuto do Idoso, como a criação de conselhos municipais atuantes e a capacitação de agentes de saúde e segurança para identificar e denunciar casos de violência.
O balanço da OAB/AL também destaca que a maioria dos homicídios ocorreu em zonas rurais, onde o isolamento geográfico e a dependência econômica dos idosos em relação a familiares ou vizinhos os tornam mais vulneráveis. Em muitos casos, as vítimas eram proprietárias de terras ou recebiam benefícios previdenciários, o que as colocava como alvo de disputas patrimoniais. A comissão alertou que, sem uma atuação coordenada entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, a tendência é de que os números continuem subindo, agravando uma crise humanitária que já atinge milhares de famílias alagoanas.
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