Senadora chama Renan Calheiros de ‘corrupto’ em comissão e expõe racha político em Alagoas

Em uma sessão tensa na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal, a senadora mãe do ex-prefeito de Maceió confrontou diretamente o senador Renan Calheiros (MDB-AL), chamando-o de “o mais corrupto do Brasil”. O episódio, registrado na última quarta-feira, acirrou ainda mais a já conturbada relação política no estado de Alagoas, onde disputas entre grupos locais se intensificam nos bastidores do Congresso Nacional.

A declaração ocorreu durante um debate acalorado sobre pautas regimentais, quando a senadora, visivelmente irritada, apontou para Renan Calheiros e afirmou: “O senhor é um corrupto, me respeite!”. A fala foi recebida com reações mistas entre os presentes, enquanto assessores tentavam conter o clima de hostilidade. O senador alagoano, por sua vez, rebateu com termos como “reborn” e “ventríloquo”, em referência a aliados políticos do ex-prefeito de Maceió, conforme já havia feito em ocasiões anteriores.

Panorama político e impacto regional

O confronto não é isolado. Nos últimos meses, Renan Calheiros e a senadora trocaram farpas públicas em plenário e em comissões, refletindo a fragmentação do cenário político alagoano. Enquanto o senador do MDB busca manter sua influência histórica no estado, a senadora — que é mãe do ex-prefeito de Maceió — representa uma nova geração de lideranças que desafiam o domínio de antigos caciques. A crise expõe as dificuldades de articulação entre os parlamentares da bancada alagoana, que enfrentam pressões de eleitores e de grupos econômicos locais.

Especialistas apontam que o embate pode ter repercussões nas eleições municipais de 2024, já que ambos os lados tentam capitalizar o desgaste do adversário. Enquanto isso, a população de Alagoas acompanha com apreensão os desdobramentos, temendo que a polarização paralise pautas importantes para o desenvolvimento regional, como investimentos em infraestrutura e combate à seca.

A assessoria de Renan Calheiros não comentou oficialmente as acusações, mas fontes próximas ao senador afirmam que ele considera a fala “infundada e parte de uma estratégia de marketing político”. Já a senadora, em nota, reiterou que “não se calará diante de práticas corruptas que prejudicam o povo alagoano”. O caso deve ser levado ao Conselho de Ética do Senado, mas até o momento não há previsão de abertura de procedimento disciplinar.

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