Governo Lula promete zerar fila do INSS até setembro, antes das eleições de 2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou nesta quinta-feira (6) a promessa de zerar a fila de pedidos represados do INSS até setembro, antes da eleição de 2026. A declaração foi feita durante cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília, e integra um esforço do governo para evitar desgaste político com a demora na concessão de benefícios previdenciários e assistenciais.

A meta, anunciada originalmente em junho de 2026, prevê a eliminação total dos cerca de 1,8 milhão de requerimentos acumulados, que incluem aposentadorias, pensões, auxílios-doença e Benefícios de Prestação Continuada (BPC). Segundo dados oficiais do Ministério da Previdência Social, o tempo médio de espera para análise de pedidos caiu de 120 para 45 dias nos últimos meses, mas ainda há gargalos em regiões como Norte e Nordeste.

Contexto político e econômico

A promessa ocorre em meio a um cenário eleitoral aquecido, com a sucessão presidencial de 2026 se aproximando. O governo Lula busca demonstrar eficiência na gestão pública, especialmente em áreas sensíveis como a Previdência, que historicamente gera insatisfação popular. A fila do INSS foi um dos principais alvos de críticas da oposição, que aponta lentidão e falta de investimento em tecnologia e pessoal.

Para cumprir o prazo, o Executivo anunciou a contratação de 3 mil novos peritos médicos e a ampliação do atendimento digital, com a meta de processar 500 mil pedidos por mês até agosto. O custo estimado da operação é de R$ 2,5 bilhões, financiados pelo Orçamento da Seguridade Social. Especialistas, no entanto, alertam que a medida pode ser insuficiente sem reformas estruturais no sistema.

Impacto social e reações

A fila do INSS afeta diretamente milhões de brasileiros que dependem dos benefícios para sobreviver. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que 40% dos requerentes têm mais de 60 anos e vivem com renda inferior a um salário mínimo. A promessa de zerar a fila foi recebida com cautela por associações de defesa dos segurados, como o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e a Associação Nacional dos Peritos Médicos (ANPM), que destacam a necessidade de melhorias permanentes.

Em nota, a Federação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social (Fenasps) classificou a meta como “ousada, mas factível”, desde que haja fiscalização rigorosa e combate a fraudes. Já a oposição, por meio de líderes no Congresso, questionou a viabilidade orçamentária e acusou o governo de “eleitoreirismo”.

A cerimônia no Planalto contou com a presença de ministros, como o da Previdência Social, Carlos Lupi, e o da Casa Civil, Rui Costa, além de representantes de sindicatos e movimentos sociais. Lula reforçou que a prioridade é “garantir dignidade ao povo brasileiro” e que o governo está comprometido com a redução das desigualdades.

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