Um estudo recente, divulgado pelo portal TNH1, revela que até mesmo pequenas atividades físicas, como caminhadas curtas ou alongamentos, são capazes de melhorar o humor no mesmo dia em que são realizadas. A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade de Vermont, nos Estados Unidos, analisou dados de mais de 10 mil participantes ao longo de cinco anos e concluiu que o efeito positivo sobre o bem-estar emocional ocorre de forma imediata, independentemente da intensidade do exercício. O estudo, publicado na revista Journal of Happiness Studies, reforça a importância de incorporar movimentos simples à rotina diária como estratégia de saúde mental.

Os pesquisadores acompanharam voluntários de diferentes faixas etárias e níveis de condicionamento físico, registrando suas atividades diárias e estados de humor por meio de aplicativos de smartphone. Os resultados mostraram que mesmo atividades de baixa intensidade, como jardinagem, dança leve ou uma caminhada de 10 minutos, geraram um aumento significativo nos níveis de felicidade e redução do estresse no mesmo dia. “Não é necessário correr uma maratona ou passar horas na academia para colher benefícios emocionais”, afirmou a coordenadora do estudo, Dra. Emily Smith, em entrevista ao portal. “O simples ato de se movimentar, por pouco tempo, já ativa mecanismos neurológicos que elevam o humor.”

O levantamento também identificou que o efeito positivo é mais pronunciado em pessoas que praticam atividades ao ar livre, em contato com a natureza, mas os benefícios também foram observados em ambientes fechados. A pesquisa controlou variáveis como idade, gênero, condições de saúde pré-existentes e nível socioeconômico, garantindo que a melhora no humor fosse atribuída diretamente à atividade física. “Isso sugere que políticas públicas de incentivo a pequenas pausas ativas no trabalho e nas escolas podem ter impacto real na saúde mental da população”, destacou Dr. Carlos Mendes, epidemiologista da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), que não participou do estudo, mas comentou os achados para a reportagem.

Impacto na saúde pública e no cotidiano

Especialistas em saúde pública veem no estudo uma oportunidade para repensar campanhas de promoção de bem-estar. No Brasil, onde a ansiedade e a depressão afetam cerca de 18 milhões de pessoas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a descoberta pode orientar ações de baixo custo. “Muitas vezes, as pessoas se sentem intimidadas por recomendações de exercícios intensos. Mostrar que 10 minutos de alongamento já fazem diferença pode encorajar quem está sedentário”, explicou a Dra. Ana Lúcia Pereira, psicóloga clínica e pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB).

O estudo também aponta que o efeito cumulativo das pequenas atividades ao longo da semana potencializa a melhora do humor, com picos de bem-estar registrados nos dias em que os participantes realizavam pelo menos duas sessões curtas de movimento. “Isso reforça a ideia de que consistência é mais importante que intensidade”, acrescentou a Dra. Emily Smith. A pesquisa foi financiada pelo Instituto Nacional de Saúde dos EUA (NIH) e contou com apoio de universidades parceiras na Europa e na Ásia.

Panorama político e social

O debate sobre saúde mental ganhou destaque no cenário político brasileiro nos últimos anos, com a aprovação da Lei 14.831/2024, que institui a Política Nacional de Cuidados Integrados em Saúde Mental, e com a ampliação do programa Saúde na Escola, que agora inclui atividades físicas leves como parte do currículo. No entanto, especialistas criticam a falta de investimento em infraestrutura urbana, como parques e calçadas adequadas, que dificultam a prática de atividades ao ar livre em muitas cidades. “De nada adianta recomendar caminhadas se as pessoas não têm espaços seguros para isso”, alertou o Dr. Carlos Mendes. “É preciso que o poder público integre essas evidências científicas ao planejamento urbano e às políticas de saúde.”

Enquanto isso, o estudo da Universidade de Vermont chega em um momento em que a sociedade busca alternativas acessíveis para lidar com o estresse cotidiano, especialmente após os impactos da pandemia de COVID-19 na saúde mental global. A pesquisa sugere que pequenas mudanças de hábito podem ter efeitos profundos, e que o movimento, em qualquer escala, é um aliado poderoso do bem-estar emocional.

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