Disputa pela sucessão no Congresso e eleições de 2026 travam pautas do governo e acirram tensão entre Motta e Alcolumbre

Com o foco nas eleições de 2026, governo e oposição trabalham para encaminhar e destravar a análise de projetos de seus respectivos interesses no Congresso Nacional, mas a Copa do Mundo, as festas de São João e disputas políticas ligadas à sucessão das mesas diretoras têm contribuído para atrasar o andamento das propostas. Um dos pontos centrais são as negociações para a reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP) para a presidência da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, respectivamente.

Impulsionadas pelo bom momento da relação de Motta com o governo, parte das matérias de interesse do Executivo já foi aprovada pelos deputados, mas não contam com a boa vontade de Alcolumbre, com quem a relação não está boa, para serem votadas pelos senadores. É o caso da PEC da Segurança Pública, aposta do governo para melhorar a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o eleitorado, principalmente o de centro-direita, que aponta o tema como uma de suas maiores preocupações. O texto foi aprovado na Câmara em março, mas ainda não foi despachado por Alcolumbre para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde as PECs são analisadas antes de irem para o plenário do Senado.

PEC da jornada de trabalho e o entrave no Senado

Outro texto que aguarda votação dos senadores é a PEC que reduz a jornada de trabalho sem redução salarial. Alcolumbre adota uma postura dúbia: apesar de garantir a interlocutores que o tema será votado antes das eleições, tem dito que o Senado não pode ser uma “casa carimbadora” e ainda não enviou a matéria para a CCJ. Ele inclusive desmarcou um encontro que teria com o presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), para definir o relator e não há uma nova data no horizonte. Aliados do presidente do Senado dizem que, apesar da cautela de Alcolumbre, a PEC terá uma tramitação rápida na CCJ pela boa relação de Otto Alencar com o governo.

‘Desculpa oficial’ e o calendário eleitoral

Parlamentares admitem o descompasso de agenda entre as duas casas, mas atribuem o travamento dos projetos à relação de Alcolumbre com o governo e não às festas, tratadas como a “desculpa oficial”. Além disso, avaliam que a agenda ficará ainda mais apertada em razão do período eleitoral, quando o Congresso deverá trabalhar em regime remoto a maior parte do tempo para permitir que os deputados e senadores fiquem nas suas bases para fazer campanha. Para permitir o avanço das propostas, os parlamentares defendem que Alcolumbre tente reconstruir a relação com o Planalto. O presidente do Senado é apontado como responsável por uma das principais derrotas políticas de Lula neste mandato: a rejeição da indicação de Jorge Messias ao STF.

Em relação a Motta, um deputado disse que a relação com o Planalto deu uma pequena “azedada” por conta do vídeo de Lula em apoio à reeleição de Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) ao Senado. Motta luta para manter sua base e o apoio do governo, enquanto Alcolumbre busca consolidar sua posição de força no Senado, em um cenário que reconfigura as alianças e as disputas pelo poder no Congresso Nacional.

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