Governo orienta plataformas a barrar monetização de influenciadores mirins sem autorização judicial

O governo federal enviou um ofício nesta sexta-feira (12) às plataformas de redes sociais, orientando que elas se abstenham de monetizar ou impulsionar conteúdos que explorem a rotina de crianças e adolescentes sem alvará a partir da próxima semana. A regra foi prevista no Estatuto da Criança e Adolescente (ECA) Digital e entrará em vigor no próximo dia 17 de junho.

A medida foi incluída após a denúncia do influenciador Felca de que crianças e adolescentes estavam sendo exploradas, muitas vezes até pelos pais, para gerar renda na internet. No decreto que regulamenta o ECA Digital, o governo estende às plataformas a mesma obrigação já prevista para atores mirins, no ECA original. Conteúdo impulsionado ou que explore, de forma habitual, a imagem ou a rotina de uma criança, deve ser autorizado em juízo ou mediante alvará.

O ofício foi enviado pela Secretaria Nacional de Direitos Digitais (Sedigi), do Ministério da Justiça, nesta sexta-feira (12), Dia Mundial contra o Trabalho Infantil. Ele foi baseado em um relatório do Comitê Consultivo, composto por representantes de outros ministérios e da sociedade civil. A orientação representa um avanço na proteção de direitos de crianças e adolescentes no ambiente digital, alinhando-se a debates globais sobre exploração infantil online.

O panorama político geral indica que a regulamentação do trabalho de influenciadores mirins ganhou força após casos de exposição excessiva e riscos à saúde mental e física de menores. A medida também dialoga com a atuação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que, conforme reportado, deve notificar plataformas sobre a obrigação de aval judicial para atividades desse tipo. A iniciativa do governo federal busca coibir práticas abusivas e garantir que a renda gerada por crianças na internet seja protegida por mecanismos legais, sem comprometer seu desenvolvimento.

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