Nova votação da escala 6×1 na Câmara acirra pressão sobre o Senado e amplia debate sobre jornada de trabalho

Aliados do presidente Lula (PT) avaliam que, mesmo fora do molde desejado pelo Planalto, a votação na Câmara do projeto do governo para o fim da escala 6×1 será positiva. Como o texto tem urgência constitucional, passará a trancar a pauta do Senado após 45 dias, elevando a pressão para a Casa votar a proposta. A medida, que altera a jornada de trabalho de seis dias consecutivos de trabalho por um de descanso, tem gerado intensos debates no Congresso Nacional e na sociedade civil.

A decisão do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), de pautar o projeto com o mesmo teor de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que tramita em paralelo, driblou o governo e acelerou o cronograma legislativo. A urgência constitucional, mecanismo que permite que a proposta seja votada diretamente no plenário sem passar por comissões, foi aprovada com ampla maioria, mas o conteúdo final ainda depende de negociações entre as lideranças partidárias.

Panorama político e impactos

O projeto, que propõe a redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 36 horas semanais, com a eliminação da escala 6×1, é uma das bandeiras mais emblemáticas do governo Lula na área trabalhista. No entanto, a tramitação enfrenta resistências de setores empresariais e de parte da base aliada, que temem impactos na produtividade e nos custos operacionais. A urgência constitucional, ao trancar a pauta do Senado, coloca o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), em uma posição delicada, já que ele terá que conciliar a votação com outras matérias prioritárias, como a reforma tributária e o Orçamento de 2027.

Aliados de Lula avaliam que, mesmo com as alterações feitas por Motta, a aprovação do texto na Câmara representa um avanço simbólico e prático. “A pressão sobre o Senado será inevitável. O projeto agora tem data para ser votado, e isso força um posicionamento claro de todos os senadores”, afirmou um líder do PT sob condição de anonimato. A avaliação é que a proposta, se aprovada, beneficiará cerca de 30 milhões de trabalhadores formais, especialmente nos setores de comércio, serviços e indústria, onde a escala 6×1 é mais comum.

Do lado da oposição, críticas apontam que a urgência constitucional foi usada de forma autoritária para acelerar uma matéria que carece de debate aprofundado. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) classificou a medida como “um ataque à liberdade econômica” e prometeu obstruir a votação no Senado. Já entidades sindicais, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), comemoraram a votação e pressionam por uma aprovação rápida.

O cenário político, marcado por uma base governista fragmentada e por uma oposição articulada, torna a tramitação da escala 6×1 um teste para a capacidade de articulação do governo Lula no Congresso. A votação no Senado, prevista para ocorrer em até 45 dias após a aprovação na Câmara, será acompanhada de perto por analistas e pela sociedade, que veem na proposta um divisor de águas nas relações de trabalho no Brasil.

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