Produção de veículos dispara 15,2% em maio e acumula alta de 7,1% no ano, impulsionada por vendas de automóveis e comerciais leves

A indústria automotiva brasileira registrou em maio de 2026 o melhor desempenho para o mês desde 2019, com a produção de 253,5 mil veículos e o emplacamento de 274,7 mil unidades, segundo dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O resultado representa uma alta de 15,2% em relação a maio de 2025 e impulsiona o acumulado do ano para 1,1 milhão de unidades fabricadas, um crescimento de 7,1% sobre os cinco primeiros meses de 2025. O único segmento que ainda não acompanhou o ritmo de recuperação foi o de caminhões e ônibus, para o qual a entidade projeta retomada com os subsídios do programa Move Brasil 2.

De acordo com a Anfavea, a força do ritmo produtivo vem das vendas de automóveis, que cresceram 21,5%, impulsionadas pelo programa Carro Sustentável, que estimula a aquisição de veículos de entrada. Os comerciais leves — como picapes, vans e furgões — também registraram alta expressiva de 7,7%. Em contrapartida, os caminhões tiveram queda de 15,1% e os ônibus, de 16,3%. A entidade avalia que a retomada desses segmentos depende da efetivação dos subsídios previstos no Move Brasil 2, programa federal de renovação de frota e estímulo à produção de veículos pesados.

Vendas aceleram e superam 1 milhão de unidades no acumulado

O mercado de vendas acompanhou o ritmo da produção. Em maio, a média diária de emplacamentos foi de 13,7 mil autoveículos (leves e pesados), a melhor desde dezembro de 2014. No total, foram emplacadas 274,7 mil unidades, um aumento de 21,7% em relação a maio de 2025. O acumulado do ano também superou o marco simbólico de 1 milhão de unidades um mês antes do que em 2025, atingindo 1.148,2 mil unidades. A Anfavea destacou que o bom desempenho das vendas reflete a confiança do consumidor e o efeito de programas de incentivo, mas alertou para riscos macroeconômicos.

O aumento dos preços globais de combustíveis tem se apresentado como um fator econômico preocupante, pois eleva os custos de produção e pressiona a inflação na ponta da cadeia, impactando diretamente os consumidores. A Anfavea avalia que esse cenário pode retardar o ritmo de queda dos juros por parte do Banco Central, o que, por sua vez, afeta o crédito e o financiamento de veículos. A entidade reforça que a manutenção do crescimento do setor depende de um ambiente macroeconômico estável e de políticas públicas que estimulem a demanda, especialmente nos segmentos de veículos pesados, ainda em retração.

O panorama geral da indústria automotiva brasileira, que responde por cerca de 20% do PIB industrial do país, sinaliza uma recuperação consistente após os impactos da pandemia e da crise de suprimentos de semicondutores. No entanto, a disparidade entre o desempenho dos automóveis e comerciais leves e a crise dos caminhões e ônibus revela desafios estruturais. O programa Move Brasil 2, anunciado pelo governo federal, prevê subsídios para a renovação da frota de veículos pesados, o que pode reverter o quadro negativo nos próximos meses. A Anfavea acompanha de perto a implementação das medidas e espera que o setor como um todo volte a crescer de forma equilibrada ainda em 2026.

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