TCU aprova gratificação que pode aumentar salários de servidores em até 15%

O Tribunal de Contas da União (TCU) instituiu uma gratificação para servidores que ocupam funções de direção, chefia e assessoramento e desempenham atividades classificadas como de alta complexidade técnica, de fiscalização e de gestão institucional, com potencial de elevar a remuneração em até 15%. A medida foi formalizada em ato publicado no boletim interno do tribunal na quinta-feira (11), assinado pelo presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo, e pelo vice-presidente, ministro Jorge Oliveira. A informação foi divulgada pelo jornal “Folha de S.Paulo” e confirmada pelo g1.

Em nota, o TCU afirmou que a gratificação alcançará um “número restrito de servidores” e que o impacto financeiro da medida está compatível com as dotações orçamentárias aprovadas para o órgão. A Corte não detalhou, no entanto, quantos servidores serão contemplados. Segundo o TCU, a gratificação foi instituída nos mesmos moldes de medidas implementadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) e pelo Conselho da Justiça Federal (CJF).

Justificativa e impacto orçamentário

Na justificativa da criação da Gratificação por Atuação de Alta Complexidade Técnica, de Fiscalização e de Gestão Institucional (GAAC), os ministros afirmam que o tribunal lida com um elevado volume de trabalho e que recebe, em média, cerca de 6 mil processos por ano e aprecia aproximadamente 80 mil atos de pessoal para fins de registro a cada exercício. De acordo com a portaria, o tribunal acompanha, anualmente, cerca de R$ 16,4 trilhões sob a ótica patrimonial, que considera bens, direitos e obrigações, e R$ 7 trilhões na perspectiva orçamentária, relacionada às receitas arrecadadas e às despesas empenhadas.

A portaria estabelece que a GAAC possui natureza estritamente indenizatória e não integrará o vencimento ou a remuneração do cargo efetivo, tampouco comporá a base de cálculo para fins previdenciários ou para a apuração de quaisquer outros adicionais e gratificações. “O TCU esclarece, ainda, que a instituição da gratificação decorre de ato administrativo editado no exercício de sua competência constitucional e em consonância com práticas recentemente adotadas por outros órgãos de cúpula do sistema de Justiça”, completou o tribunal, em nota.

Panorama político e institucional

A medida do TCU insere-se em um contexto de debates sobre a remuneração de servidores públicos no Brasil, especialmente em órgãos de controle e justiça. A criação de gratificações como a GAAC tem sido alvo de críticas por parte de setores que apontam aumento de gastos públicos sem contrapartida clara em eficiência. Por outro lado, defensores argumentam que tais benefícios são necessários para atrair e reter talentos em funções de alta complexidade. O TCU, como órgão fiscalizador das contas públicas, enfrenta o desafio de equilibrar a valorização de seus servidores com a responsabilidade fiscal. A falta de transparência sobre o número de beneficiados e o impacto total da medida pode gerar questionamentos sobre a adequação orçamentária e a equidade no serviço público.

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