O governo federal arrecadou R$ 2,13 bilhões em imposto de importação sobre encomendas internacionais entre janeiro e meados de maio de 2026, conforme dados da Secretaria da Receita Federal. O valor ingressou nos cofres públicos antes da chamada ‘taxa das blusinhas’ ser revogada, em meio à corrida eleitoral e a intensos debates entre setores produtivos, consumidores e o Congresso Nacional.
Na comparação com os cinco primeiros meses de 2025 — período que incluiu maio completo —, houve alta de 15,4% na arrecadação, que somou R$ 1,84 bilhão. A diferença reflete tanto o aumento do volume de compras quanto a manutenção da alíquota de 20% sobre importações de até US$ 50, instituída em agosto de 2024 após aprovação do Congresso Nacional e sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que classificou a medida como ‘irracional’.
Impacto imediato nos preços e reações do mercado
Especialistas ouvidos pelo g1 afirmaram que o fim do imposto teve impacto imediato nos preços de produtos comercializados por plataformas como Shein, Shopee e AliExpress. A medida afeta diretamente consumidores que recorrem a essas plataformas para adquirir itens de baixo valor, como roupas, eletrônicos e acessórios. Críticos da taxação argumentavam que ela encarecia produtos populares e reduzia a atratividade do comércio eletrônico internacional, além de criar desigualdade em relação a turistas que viajam ao exterior e não recolhem o tributo.
Apesar da revogação do imposto federal, os estados brasileiros seguem cobrando o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre as importações de pequeno valor, com alíquotas que variam de 17% a 20%. Essa cobrança permanece como barreira adicional para consumidores e empresas que dependem de insumos importados.
Disputa política e setorial em torno da taxa
A ‘taxa das blusinhas’ foi alvo de intenso debate político e econômico. O vice-presidente da República e então ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, defendeu a manutenção do imposto como forma de proteger a indústria nacional de produtos de baixo valor. Representantes dos setores produtivos, do comércio e varejistas também se manifestaram a favor da permanência da taxa, argumentando que ela gerou empregos e beneficiou o consumidor ao reduzir a disparidade tributária entre plataformas internacionais e nacionais.
Por outro lado, parte dos consumidores e especialistas em comércio exterior criticaram a medida, apontando que ela onerava principalmente a população de baixa renda e estimulava o contrabando. A revogação ocorreu em meio à corrida eleitoral de 2026, com pressões de diferentes espectros políticos e setoriais. O governo, ao mesmo tempo em que cedeu às críticas, manteve a cobrança de ICMS pelos estados, o que mantém a tributação sobre as compras internacionais em patamares elevados.
O episódio evidencia a complexidade do equilíbrio entre arrecadação, proteção da indústria nacional e acesso do consumidor a produtos importados, tema que deve continuar em pauta nos próximos meses, especialmente com a proximidade das eleições e a necessidade de ajustes na política tributária.
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