Crescimento de aluguéis de curta duração impulsiona rede de serviços especializada no Rio

O mercado de aluguéis de curta duração no Rio de Janeiro está em plena expansão, impulsionando uma rede de serviços especializada que atende a proprietários e investidores. Em 2024, Mariana Martins comprou um apartamento no Santo Cristo, na região portuária, para investir, mas não encontrou empresa disposta a gerenciar o imóvel na área. Sem alternativa, ela aprendeu sozinha, recorrendo ao YouTube para montar o anúncio no Airbnb e receber a primeira família. Hoje, aos 42 anos, a ex-confeiteira administra 30 apartamentos entre o Porto Maravilha e a zona sul carioca, abandonando a confeitaria que exercia há cinco anos.

O caso de Mariana reflete uma tendência mais ampla: o crescimento acelerado dos aluguéis de curta duração no Rio de Janeiro, especialmente em bairros como Santo Cristo, Porto Maravilha e áreas da zona sul. Esse movimento tem gerado uma demanda crescente por empresas especializadas em gestão de imóveis, limpeza, manutenção e check-in, criando um ecossistema de serviços que antes era incipiente na cidade. Segundo dados do mercado imobiliário, o número de imóveis cadastrados em plataformas como Airbnb cresceu 40% nos últimos dois anos, com destaque para regiões revitalizadas como a zona portuária.

O panorama político e econômico do Rio de Janeiro tem favorecido esse crescimento. A cidade, que sediou grandes eventos internacionais nos últimos anos, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, viu um aumento no turismo e na demanda por hospedagens alternativas. Além disso, políticas de incentivo à revitalização de áreas como o Porto Maravilha, com investimentos públicos e privados, atraíram investidores imobiliários. No entanto, a falta de regulamentação específica para aluguéis de curta duração ainda gera debates na Câmara Municipal, com propostas que visam equilibrar os interesses de hoteleiros, moradores e plataformas digitais.

Para empreendedores como Mariana, o desafio é gerenciar a operação sem o suporte de empresas consolidadas, o que a levou a criar sua própria rede de contatos e prestadores de serviço. Ela conta que, após o sucesso inicial, passou a ser procurada por outros proprietários interessados em terceirizar a gestão. “A demanda é tão grande que estou pensando em formalizar uma empresa de administração de imóveis para temporada”, afirma Mariana. O mercado, que antes era dominado por grandes players, agora vê a ascensão de pequenos empreendedores que preenchem lacunas deixadas pelas empresas tradicionais.

A expansão dos aluguéis de curta duração também tem impactos no mercado de trabalho. Profissionais como diaristas, eletricistas, encanadores e designers de interiores têm encontrado novas oportunidades, com contratos recorrentes e maior previsibilidade de renda. Segundo a Associação Brasileira de Locação por Temporada, o setor gerou mais de 5 mil empregos diretos no Rio de Janeiro em 2025, número que deve crescer 20% em 2026. A tendência é que a rede de serviços especializada se consolide, com empresas oferecendo pacotes completos de gestão, desde a decoração até a manutenção preventiva.

O caso de Mariana Martins é emblemático de como a falta de oferta de serviços especializados pode ser transformada em oportunidade. Ela, que começou sozinha, hoje planeja expandir o negócio para outras regiões da cidade. “O mercado está aquecido, mas ainda há muito espaço para quem quer empreender com qualidade”, conclui. A notícia original foi publicada pela Folha de S.Paulo em 13 de junho de 2026, destacando o crescimento do setor e suas implicações para a economia carioca.

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