Aluguel de curta duração no Airbnb se torna alternativa de renda para brasileiros com mais de 60 anos

O mercado de aluguéis de curta duração, impulsionado por plataformas como o Airbnb, tem se consolidado como uma alternativa de renda para brasileiros com mais de 60 anos, que buscam complementar aposentadorias e enfrentar a inflação. Um exemplo é o biólogo Luiz Claudio Freitas Lemos, de 63 anos, que recorre ao aluguel de curta duração para complementar a renda com um apartamento do tipo quarto e sala no bairro de Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro, disponível para hospedagens em plataformas como Airbnb.

O fenômeno reflete um cenário econômico desafiador, no qual a inflação e o aumento do custo de vida pressionam o orçamento de aposentados e pensionistas. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a inflação acumulada nos últimos 12 meses supera os 5%, impactando especialmente os gastos com moradia e alimentação. Nesse contexto, o aluguel de imóveis por temporada surge como uma forma de gerar receita extra sem a necessidade de grandes investimentos.

Impacto no mercado imobiliário e na economia local

O crescimento dos aluguéis de curta duração no Rio de Janeiro, especialmente em bairros como Botafogo, Copacabana e Ipanema, tem gerado uma disputa com o setor hoteleiro tradicional. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), a oferta de imóveis em plataformas como Airbnb já representa cerca de 15% do total de leitos disponíveis na cidade, o que tem pressionado os hotéis a reduzirem tarifas e a buscarem inovações para competir. Para os idosos, a vantagem está na flexibilidade: é possível alugar o imóvel por períodos curtos, como fins de semana ou feriados, sem abrir mão da residência principal.

O caso de Luiz Claudio Freitas Lemos ilustra essa tendência. O biólogo, que mora sozinho, decidiu alugar o apartamento de 40 metros quadrados durante os períodos em que não está utilizando, como em viagens ou eventos na cidade. A renda extra, que varia entre R$ 1.500 e R$ 2.500 por mês, ajuda a cobrir despesas com saúde e lazer. “É uma forma de manter o padrão de vida sem depender exclusivamente da aposentadoria”, afirmou Lemos em entrevista à Folha de S.Paulo.

Panorama político e econômico

A situação dos idosos que recorrem ao Airbnb insere-se em um contexto mais amplo de precarização da renda fixa e de busca por alternativas no mercado informal. Especialistas apontam que a reforma da Previdência, aprovada em 2019, reduziu o valor médio das aposentadorias, enquanto o aumento da expectativa de vida eleva os custos com saúde. Além disso, a política de juros altos do Banco Central, com a Selic em 13,75% ao ano, encarece o crédito e dificulta o acesso a financiamentos, levando muitos aposentados a buscarem fontes de renda complementares.

No âmbito político, o governo federal tem discutido medidas para regulamentar plataformas de aluguel por temporada, como o Airbnb, com o objetivo de garantir maior segurança jurídica e tributação. Projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional propõem a cobrança de ISS (Imposto sobre Serviços) sobre as diárias, o que poderia impactar a rentabilidade dos anfitriões. Enquanto isso, prefeituras como a do Rio de Janeiro já implementaram taxas de fiscalização para imóveis de aluguel por temporada, gerando debates sobre o equilíbrio entre a geração de renda e a regulação do setor.

Para Luiz Claudio Freitas Lemos, a experiência tem sido positiva, mas ele reconhece os desafios. “É preciso ter cuidado com a manutenção do imóvel e com a segurança dos hóspedes. Mas, no geral, vale a pena”, concluiu. O movimento de idosos no Airbnb reflete uma adaptação às novas realidades econômicas, onde a tecnologia e a economia compartilhada se tornam ferramentas para enfrentar a crise.

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