Os torcedores que foram ao Met Life Stadium para a estreia da seleção brasileira na Copa do Mundo pagaram no mínimo US$ 16 pela cerveja (R$ 81), valor que poderia chegar a US$ 18 pelo chope (R$ 91). Esse custo representa um aumento de 107% acima da inflação global acumulada no século, conforme dados do FMI (Fundo Monetário Internacional) e do Banco Mundial.
A disparidade entre o preço da bebida nos estádios e a inflação mundial reflete uma tendência de encarecimento de itens de consumo em grandes eventos esportivos, que vai além do simples reajuste monetário. Enquanto a inflação global medida pelo FMI acumulou alta de cerca de 80% desde 2000, o valor da cerveja nos torneios saltou mais de 160% no mesmo período, segundo cálculos da coluna Painel S.A., da Folha de S.Paulo.
Impacto no bolso do torcedor
Para o torcedor brasileiro, o custo de uma cerveja no estádio equivale a quase 10% do salário mínimo nacional, que em 2026 é de R$ 1.518. A situação é agravada pela desvalorização cambial, já que o dólar turismo opera acima de R$ 5,10, tornando a experiência ainda mais cara para quem viajou aos Estados Unidos. Em comparação, na Copa de 2002, na Coreia do Sul e no Japão, o preço médio da cerveja era de US$ 3,50, ajustado pela inflação.
O aumento não é isolado: outros itens como água mineral, refrigerantes e lanches também tiveram reajustes superiores à inflação, mas a cerveja se destaca por ser um dos produtos mais consumidos em eventos esportivos. A FIFA, que detém os direitos de venda de bebidas nos estádios, não comentou oficialmente os valores, mas especialistas apontam que a política de preços visa maximizar receitas com patrocínios e vendas diretas.
Panorama político e econômico
O cenário reflete um contexto mais amplo de inflação global persistente, que afeta desde alimentos até serviços turísticos. Nos Estados Unidos, a inflação acumulada desde 2020 é de 22%, mas o preço da cerveja nos estádios subiu 35% no mesmo período, segundo o Bureau of Labor Statistics. No Brasil, a alta acumulada do IPCA desde 2000 é de 280%, mas a cerveja nos estádios brasileiros, quando há eventos, segue tendência similar de encarecimento.
Para economistas ouvidos pela reportagem, o fenômeno é explicado por uma combinação de fatores: aumento do custo de logística, tributação elevada sobre bebidas alcoólicas em vários países e poder de monopólio das organizações esportivas. A FIFA e a UEFA são frequentemente criticadas por práticas de preços abusivos em estádios, mas até agora não há regulação específica que limite os valores.
A disparidade entre o preço da cerveja e a inflação global também levanta questões sobre acessibilidade em eventos de massa. Enquanto a Copa do Mundo se consolida como um dos maiores espetáculos do planeta, o custo para o torcedor médio se torna cada vez mais proibitivo, especialmente em países emergentes como o Brasil, onde a renda per capita é de US$ 9.600, contra US$ 76.000 nos EUA.
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