A cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), intitulada ‘Dark Horse’, teve um custo total de R$ 75 milhões, conforme perícia contratada pela produtora Go Up Entertainment. A empresa afirma que o filme não contou com dinheiro público para sua realização, mas a produção está no centro de uma operação policial que investiga possíveis desvios de verba pública. O caso reacende o debate sobre o financiamento de obras políticas e a isenção de produções que abordam figuras públicas.
A perícia, encomendada pela própria produtora, foi apresentada como parte da defesa da empresa, que nega irregularidades. No início deste mês, a Go Up Entertainment foi alvo de uma operação que apura suspeitas de desvio de recursos públicos. A produtora, no entanto, sustenta que todos os recursos utilizados na produção do filme são de origem privada, provenientes de investidores e da própria empresa.
Impacto político e adiamento da exibição
O lançamento de ‘Dark Horse’ estava previsto para ocorrer ainda este ano, mas fontes ligadas à produção indicam que a exibição pode ser adiada após o desgaste gerado pela investigação. A obra, que promete retratar a trajetória de Jair Bolsonaro desde a juventude até a presidência, já enfrenta resistência de setores políticos e da opinião pública. O adiamento pode ser uma estratégia para evitar que o filme seja associado a polêmicas judiciais.
O caso também levanta questionamentos sobre o papel de produções audiovisuais na construção de narrativas políticas. Enquanto apoiadores do ex-presidente veem o filme como uma oportunidade de humanizar sua figura, críticos apontam que a obra pode servir como ferramenta de propaganda política, especialmente em um contexto eleitoral.
Panorama político e judicial
A investigação contra a Go Up Entertainment ocorre em meio a um cenário de tensão entre o Judiciário e o campo político bolsonarista. Recentemente, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julgou uma liminar que suspendeu uma pesquisa desfavorável a Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente, em uma decisão que pode redefinir regras eleitorais. Além disso, a Associação de Delegados rebateu críticas de Flávio Bolsonaro e do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, defendendo a legalidade da operação contra a produtora.
Enquanto isso, outras pautas políticas dominam o noticiário, como a Marcha para Jesus em São Paulo, que reuniu multidão e políticos de diferentes espectros em um evento de fé, e denúncias de irregularidades em contratos públicos, como o caso de R$ 985 mil para material didático em Inhapi. A produção de ‘Dark Horse’, portanto, insere-se em um contexto mais amplo de disputas políticas e judiciais que marcam o cenário nacional.
Fonte: ver noticia original

