Um projeto de lei que criminaliza a misoginia — o ódio e a violência sistemática contra mulheres — avançou nesta semana na Câmara dos Deputados, após aprovação em grupo de trabalho, e pode equiparar esse crime ao racismo, ampliando punições especialmente para ataques no ambiente digital. O texto, que ainda será votado pelo plenário, representa um passo significativo no enfrentamento à violência de gênero no Brasil, em um contexto de crescente debate sobre direitos das mulheres e combate à desinformação.
O projeto, de autoria da deputada Maria do Rosário (PT-RS), foi construído a partir de contribuições de parlamentares de diferentes partidos e de organizações da sociedade civil. A proposta define a misoginia como crime autônomo, com penas que podem chegar a até cinco anos de reclusão, além de multa. A equiparação ao racismo, prevista na Constituição, torna o crime inafiançável e imprescritível, o que representa um endurecimento significativo na legislação brasileira.
Impacto no ambiente digital
Um dos pontos centrais do texto é a tipificação de crimes cometidos em plataformas digitais, como redes sociais, fóruns e aplicativos de mensagens. A medida visa coibir a proliferação de discursos de ódio misógino, que têm se intensificado nos últimos anos, especialmente contra mulheres jornalistas, políticas e ativistas. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que uma em cada três mulheres já sofreu violência online, e o projeto busca dar uma resposta legal mais robusta a esse fenômeno.
O avanço do projeto ocorre em meio a um panorama político conturbado, marcado por ofensivas de desinformação que ameaçam legislações cruciais contra a misoginia. Um estudo recente, intitulado “Ofensiva de Desinformação Ameaça Legislação Crucial Contra a Misoginia no Brasil, Revela Estudo”, apontou que campanhas coordenadas nas redes sociais têm distorcido o conteúdo do projeto, associando-o a supostas ameaças à liberdade de expressão. A pesquisa, conduzida por especialistas em comunicação e gênero, alerta que essas narrativas falsas podem influenciar negativamente a votação no plenário.
Panorama político e desafios
A tramitação do projeto reflete as tensões no Congresso Nacional, onde pautas relacionadas a direitos das mulheres enfrentam resistência de setores conservadores. Enquanto a bancada feminina e aliados progressistas defendem a urgência da medida, parlamentares ligados a grupos religiosos e de direita argumentam que a criminalização pode abrir precedentes para censura. O relator do projeto, deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), destacou que o texto foi equilibrado para garantir a proteção das mulheres sem ferir garantias constitucionais.
Se aprovado, o Brasil se juntará a países como Argentina e França, que já possuem legislações específicas contra a misoginia. A medida também está alinhada com recomendações de organismos internacionais, como a ONU Mulheres, que tem pressionado os estados-membros a adotarem marcos legais mais rigorosos contra a violência de gênero. Para especialistas, a aprovação do projeto é um passo crucial para enfrentar a cultura de ódio que sustenta a desigualdade e a violência contra mulheres no país.
Fonte: ver noticia original

