Condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pediu nesta quarta-feira (17) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, restabeleça as sanções contra o ministro Alexandre de Moraes com base na Lei Magnitsky — mecanismo que prevê punições financeiras e restrições de entrada no país americano. A solicitação ocorre um dia após a condenação do parlamentar, em um julgamento que ampliou a crise institucional entre os Poderes no Brasil.
A Lei Magnitsky, sancionada nos EUA em 2012, permite ao governo americano impor sanções a estrangeiros acusados de violações de direitos humanos ou corrupção. Em 2025, o governo Trump já havia aplicado sanções contra Moraes, mas elas foram suspensas após negociações diplomáticas entre Brasília e Washington. Agora, Eduardo Bolsonaro pede a reativação do mecanismo, argumentando que a condenação no STF seria uma “perseguição política” e que o ministro agiu com “abuso de autoridade”.
Condenação e reações políticas
A condenação de Eduardo Bolsonaro foi decidida por maioria no STF, em ação que apurava supostos atos antidemocráticos e incitação à violência contra instituições. A pena inclui perda de mandato, inelegibilidade por oito anos e multa de R$ 500 mil. A Defensoria Pública da União já pediu a nulidade do processo, alegando impedimento do ministro Alexandre de Moraes, que teria atuado como “acusador e julgador” no caso.
O pedido de Eduardo Bolsonaro a Trump insere-se em um contexto de crescente tensão entre o governo brasileiro e a oposição. Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca aproximação com os EUA — como demonstrado no recente encontro com Trump em maio —, setores da direita brasileira tentam usar a influência americana para desgastar o STF e o sistema judicial. A deputada americana Marjorie Taylor Greene, aliada de Trump, já declarou que “é preciso aproximar EUA e Brasil, não afastar”, em referência ao encontro de Lula com Trump.
Impactos e panorama geral
A reativação de sanções contra Moraes teria efeitos imediatos nas relações bilaterais, podendo gerar retaliações diplomáticas e comerciais. O Brasil é um dos maiores parceiros dos EUA na América Latina, e qualquer sanção contra uma autoridade do Judiciário brasileiro seria vista como uma interferência externa em assuntos internos. Além disso, a medida poderia fortalecer a narrativa de que o STF age de forma arbitrária, alimentando discursos de descrença nas instituições.
Para analistas políticos, o pedido de Eduardo Bolsonaro reflete a estratégia de setores da oposição de internacionalizar o conflito judicial, buscando apoio de governos estrangeiros para pressionar o STF. No entanto, especialistas apontam que a Lei Magnitsky é um instrumento raramente usado contra aliados e que sua aplicação contra Moraes exigiria evidências robustas de violações de direitos humanos, o que não foi comprovado até o momento.
O governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores, já manifestou “preocupação” com o pedido e afirmou que “qualquer sanção contra autoridades brasileiras será respondida com medidas proporcionais”. A oposição, por sua vez, defende que a condenação de Eduardo Bolsonaro é um “ato de censura” e que o STF “se tornou um tribunal político”. O caso promete escalar a crise institucional, com possíveis reflexos nas eleições de 2026.
Fonte: ver noticia original

