Moradores de Campo Alegre denunciam mandado de desocupação na Fazenda Belo Horizonte

Moradores de Campo Alegre, em Alagoas, denunciam o cumprimento de um mandado judicial nesta quarta-feira (17), que determina a desocupação de imóveis localizados na Fazenda Belo Horizonte. Os ocupantes têm 30 dias para realizar a saída voluntária. A ação do Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas, por meio da Comarca de Coruripe, está em andamento e reacende o debate sobre conflitos fundiários no interior alagoano.

A decisão judicial, que afeta diretamente dezenas de famílias que residem na área, foi recebida com apreensão e críticas por parte de lideranças comunitárias e movimentos sociais. A Fazenda Belo Horizonte, localizada na zona rural de Campo Alegre, é alvo de disputa há anos, envolvendo questões de posse e propriedade da terra. O mandado de desocupação, expedido pela Comarca de Coruripe, estabelece um prazo de 30 dias para que os ocupantes deixem voluntariamente os imóveis, sob risco de reintegração de posse forçada.

Panorama político e social

O caso ocorre em um contexto de tensão social no estado, onde conflitos agrários são frequentes, especialmente em áreas rurais com histórico de ocupações e grilagem. A Folha de Alagoas, que originalmente noticiou o fato, destacou que a ação judicial faz parte de um processo mais amplo de regularização fundiária, mas que tem gerado preocupação entre os moradores, que temem perder suas moradias e meios de subsistência. A situação em Campo Alegre reflete um padrão nacional de disputas por terra, que frequentemente opõem grandes proprietários rurais e comunidades carentes, muitas vezes sem acesso a políticas públicas de habitação e reforma agrária.

Lideranças locais denunciam a falta de diálogo com o poder público e criticam a celeridade do processo judicial, que, segundo elas, não considerou alternativas como a desapropriação para fins de reforma agrária ou a negociação de acordos. Enquanto isso, o Tribunal de Justiça de Alagoas mantém a decisão, baseada em ações de reintegração de posse movidas por proprietários que alegam direito legal sobre a área. A Comarca de Coruripe, responsável pelo caso, não se pronunciou oficialmente sobre os desdobramentos, mas o mandado já foi comunicado às autoridades locais para cumprimento.

O episódio em Campo Alegre também levanta questionamentos sobre a atuação do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e de outros órgãos estaduais na mediação de conflitos fundiários. Especialistas apontam que a ausência de políticas efetivas de reforma agrária e de regularização de terras contribui para a perpetuação de tensões como a observada na Fazenda Belo Horizonte. Enquanto isso, os moradores organizam reuniões e buscam apoio de entidades de direitos humanos para reverter a decisão ou garantir condições dignas de reassentamento.

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