Alcolumbre impõe condições e PEC do fim da escala 6×1 pode ficar para depois das eleições

O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), impôs condicionantes para destravar a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1, medida que pode ser adiada para depois das eleições de 2026. Entre as exigências estão uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), um acordo prévio para a escolha do relator e alterações no texto para acolher sugestões da oposição e de representantes do setor empresarial.

A PEC, que propõe a substituição da jornada de seis dias de trabalho por um de descanso por modelos mais flexíveis, ganhou forte apoio popular e mobilizou centrais sindicais e movimentos sociais. No entanto, a resistência de setores conservadores e de parte do empresariado, que temem aumento de custos e perda de competitividade, levou Alcolumbre a buscar um amplo acordo político antes de pautar a matéria no plenário. O presidente do Senado afirmou a interlocutores que não pretende colocar a proposta em votação sem antes garantir um texto que tenha viabilidade de aprovação tanto na Casa quanto na Câmara dos Deputados.

O cenário político atual é marcado por intensa negociação entre o governo e a oposição em torno de pautas econômicas e sociais. A PEC do fim da escala 6×1 tornou-se um dos principais temas da agenda legislativa, com potencial de impactar diretamente a vida de milhões de trabalhadores brasileiros. Enquanto o governo Lula busca aprovar a medida como parte de sua plataforma de valorização do trabalho, partidos de oposição e entidades patronais pressionam por alterações que reduzam o impacto sobre as empresas, especialmente as de pequeno e médio porte.

Segundo fontes do Senado, Alcolumbre também condicionou a tramitação a um encontro com o presidente Lula para alinhar os termos da proposta e garantir o apoio da base governista. Além disso, o senador quer que a escolha do relator seja feita de comum acordo entre os líderes partidários, evitando que a relatoria fique com um parlamentar considerado radical por qualquer dos lados. As alterações no texto devem incluir prazos de transição mais longos e exceções para setores específicos, como saúde e segurança, que já operam em escalas diferenciadas.

Com as negociações em andamento, a expectativa é que a PEC só seja votada após o período eleitoral de 2026, o que pode enfraquecer o ímpeto reformista e adiar uma das principais promessas do governo na área trabalhista. Enquanto isso, movimentos sociais e sindicatos prometem intensificar a pressão sobre os parlamentares, realizando atos e mobilizações em todo o país para garantir que a proposta não seja enterrada ou descaracterizada.

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