O prazo para aposentados e pensionistas do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) pedirem a devolução de descontos indevidos de mensalidades associativas em benefícios previdenciários termina nesta sexta-feira (19) no caso de quem pretende buscar atendimento nos Correios. A medida, anunciada pelo governo federal em maio de 2026, visa ressarcir segurados que tiveram valores descontados sem autorização explícita, em um esquema que envolveu entidades de classe e sindicatos, e que gerou uma crise de confiança no sistema previdenciário.
De acordo com o Ministério da Previdência Social, os descontos indevidos ocorreram entre janeiro de 2023 e abril de 2026, afetando aproximadamente 3,2 milhões de beneficiários, com um prejuízo total estimado em R$ 4,7 bilhões. O INSS firmou um acordo com os Correios para facilitar o atendimento presencial, mas o prazo para essa modalidade se encerra em 19 de junho de 2026. Após essa data, os pedidos ainda poderão ser feitos por canais digitais, como o site Meu INSS e a central telefônica 135, até o dia 20 de junho, conforme anunciado pelo ministro da Previdência, Carlos Lupi.
Panorama político e judicial
A situação expõe fragilidades na fiscalização do INSS e levanta questionamentos sobre a atuação de entidades associativas, que muitas vezes operam sem o devido controle. O Ministério Público Federal (MPF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) investigam a origem dos descontos, que envolvem desde mensalidades de sindicatos até taxas de associações de aposentados. Em paralelo, o Supremo Tribunal Federal (STF) analisa ações que questionam a legalidade desses descontos automáticos, enquanto o Congresso Nacional discute projetos de lei para endurecer as regras de autorização prévia.
O governo federal, sob pressão de movimentos sociais e da oposição, busca conter os danos políticos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou prioridade na devolução dos valores, mas a lentidão no processo gerou críticas de entidades como a Federação Nacional dos Aposentados e Pensionistas (FENAP) e o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC). Especialistas apontam que o caso pode se tornar um dos maiores escândalos administrativos do governo, com impacto direto na credibilidade do INSS e na confiança dos segurados.
Para solicitar o ressarcimento, os interessados devem comparecer a uma agência dos Correios com documento de identidade, CPF e comprovante de benefício. O atendimento é gratuito e o valor será creditado em conta corrente ou poupança do INSS em até 30 dias úteis. A recomendação do Ministério da Previdência é que os segurados verifiquem extratos recentes para identificar descontos não autorizados, especialmente aqueles com valores inferiores a R$ 50, que podem passar despercebidos.
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