Documentos da PF revelam que deputados pagaram contas de cartão de crédito de Ciro Nogueira

Documentos da Polícia Federal obtidos no âmbito da Operação Compliance Zero revelam que os deputados federais Júlio Arcoverde (PP-PI) e Átila Lira (PP-PI) pagaram faturas do cartão de crédito do senador Ciro Nogueira (PP-PI). A operação investiga suspeitas de fraude financeira, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O caso, que já movimenta o cenário político nacional, expõe relações financeiras suspeitas entre parlamentares e um dos maiores bancos privados do país.

De acordo com os registros da PF, os pagamentos foram feitos entre 2023 e 2024, totalizando valores que ainda estão sendo contabilizados. As faturas quitadas incluem despesas pessoais do senador, como compras em estabelecimentos comerciais e serviços. A investigação aponta que os deputados podem ter atuado como intermediários para ocultar a origem dos recursos, possivelmente oriundos de esquemas de corrupção ligados ao Banco Master.

Panorama político e impacto

A revelação ocorre em um momento de forte tensão no Congresso Nacional, onde o PP, partido de Ciro Nogueira, Júlio Arcoverde e Átila Lira, é uma das maiores bancadas. O caso levanta questionamentos sobre a transparência nas relações entre parlamentares e instituições financeiras, especialmente após a quebra de sigilo bancário e fiscal dos envolvidos. A Operação Compliance Zero, deflagrada em junho de 2026, já resultou em buscas e apreensões em endereços ligados ao senador e ao banqueiro Daniel Vorcaro.

Especialistas ouvidos pelo portal avaliam que o episódio pode ter repercussões eleitorais, já que Ciro Nogueira é figura central no governo de coalizão e articulador político de peso. A oposição já pediu a abertura de uma CPI para investigar as conexões entre o Banco Master e parlamentares. Enquanto isso, a PF segue analisando documentos e depoimentos, que podem revelar novos nomes e valores envolvidos no esquema.

Os deputados Júlio Arcoverde e Átila Lira, por meio de suas assessorias, negaram irregularidades e afirmaram que os pagamentos se referem a empréstimos pessoais ou acertos de contas legítimos. Já o senador Ciro Nogueira não se manifestou até o fechamento desta edição. A Polícia Federal, no entanto, mantém sigilo sobre as investigações em andamento, que já contam com mais de 50 mil documentos apreendidos.

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