Governo Trump condena STF por sentença a Eduardo Bolsonaro e alega perseguição política

O Departamento de Estado do governo Donald Trump criticou, nesta quinta-feira (18 de junho de 2026), a condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro pelo STF (Supremo Tribunal Federal), classificando a decisão como um ato de perseguição política. A declaração oficial foi divulgada por meio de nota à imprensa, na qual a administração norte-americana expressa preocupação com o que considera uma escalada na judicialização de casos políticos no Brasil.

A condenação de Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, ocorreu em um contexto de intensos debates sobre os limites da atuação do STF e a independência do Judiciário brasileiro. O ex-deputado foi sentenciado por crimes relacionados a ataques contra a democracia e a difusão de informações falsas, em um processo que tramitou sob sigilo parcial e gerou controvérsias sobre o devido processo legal.

A nota do Departamento de Estado, assinada pelo porta-voz Matthew Miller, afirma que “os Estados Unidos acompanham com preocupação a condenação de Eduardo Bolsonaro, que parece ter motivações políticas e não jurídicas”. O texto ainda sugere que a decisão do STF pode “prejudicar a confiança no sistema judicial brasileiro e aprofundar divisões políticas internas”.

A reação do governo Trump ocorre em um momento de estreita aliança entre a administração republicana e setores conservadores brasileiros, especialmente aqueles ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Nos últimos meses, o Departamento de Estado já havia manifestado críticas a outras decisões do STF, como a suspensão de perfis de parlamentares bolsonaristas em redes sociais e a abertura de inquéritos contra apoiadores do ex-presidente.

Especialistas em relações internacionais apontam que a declaração pode aumentar a tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos, especialmente se o governo brasileiro, sob a presidência de Luiz Inácio Lula da Silva, reagir de forma contundente. O Palácio do Itamaraty ainda não se pronunciou oficialmente sobre a nota norte-americana, mas fontes diplomáticas indicam que o governo brasileiro considera a interferência externa em decisões judiciais como inaceitável.

No cenário político interno, a condenação de Eduardo Bolsonaro reacendeu o debate sobre a atuação do STF e a judicialização da política. Parlamentares da oposição, como o deputado Kim Kataguiri (União Brasil-SP), defenderam a decisão da Corte, afirmando que “ninguém está acima da lei, e ataques à democracia devem ser punidos”. Já aliados do ex-presidente Bolsonaro, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), classificaram a sentença como “arbitrária e política”.

O caso também levanta questões sobre o impacto nas eleições presidenciais de 2026, marcadas para outubro. Eduardo Bolsonaro, que era cotado como possível candidato ao Senado ou à Câmara dos Deputados, agora está inelegível por oito anos, conforme a Lei da Ficha Limpa. A decisão do STF pode fortalecer o discurso de perseguição política entre os apoiadores do ex-presidente, mas também pode ser usada pelo governo Lula para demonstrar firmeza contra ataques à democracia.

Enquanto isso, a comunidade internacional observa com atenção o desenrolar do caso. Organizações de direitos humanos, como a Human Rights Watch, já manifestaram preocupação com a judicialização de questões políticas no Brasil, mas também alertam para o risco de interferência externa em decisões judiciais soberanas. O governo Trump, por sua vez, sinaliza que continuará monitorando a situação e pode adotar medidas diplomáticas adicionais, como a convocação do embaixador brasileiro em Washington para esclarecimentos.

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