Zema faz aceno ao Nordeste após polêmicas e aposta em potencial turístico para impulsionar região

O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), afirmou nesta quinta-feira (18) que tem “um apreço enorme pelo Nordeste” e que a região é onde “o Brasil mais pode crescer”, por causa da proximidade com a Europa e os Estados Unidos. A declaração ocorreu durante entrevista coletiva no Recife, quando foi questionado sobre afirmações suas que causaram polêmica em 2023, quando comparou estados nordestinos a “vaquinhas que produzem pouco”. Zema tenta reverter a imagem negativa e reforçar seu compromisso com o desenvolvimento regional, em meio a um cenário político marcado por tensões entre as regiões do país.

“Estou muito tranquilo. Eu acho que a questão foi muito para um lado que não deveria ter ido, porque lá em 2019, quando eu assumi o estado de Minas, eu fui um dos idealizadores do Consórcio Sul Sudeste, que veio para somar com o Brasil. E acho que alguns políticos aqui do Nordeste que falaram que eu estava criando um consórcio anti-Norte, anti-Nordeste. Meu posicionamento nunca foi esse. […] Tenho um apreço enorme pelo Nordeste e, na minha opinião, onde o Brasil mais pode crescer é aqui. São os estados mais próximos da Europa, dos Estados Unidos, em questão de voos, [tem] o maior potencial turístico. Então eu acho que foi mais crítica da classe política, parte dela”, disse Zema, em tom conciliador, durante o evento.

Polêmicas anteriores e reações

Em 2023, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Zema mencionou a formação de uma aliança Sul-Sudeste em resposta ao Consórcio Nordeste. Ao mencionar “o protagonismo econômico e político” do Sul e do Sudeste, ele disse que o Brasil funciona como um “produtor rural que começa só a dar um tratamento bom para as vaquinhas que produzem pouco e deixa de lado as que estão produzindo muito”, referindo-se aos estados nordestinos. Na época, o Consórcio Nordeste divulgou uma nota afirmando que Zema demonstrava “uma leitura preocupante do Brasil” e que o Norte e o Nordeste foram regiões penalizadas ao longo das décadas pelos projetos nacionais de desenvolvimento. A entidade também negou “qualquer tipo de lampejo separatista”. Dois meses antes dessa declaração, Zema se envolveu em outra polêmica ao declarar que os estados do Sudeste e do Sul “podem contribuir para esse país dar certo” em contraste com os de outras regiões. “São estados onde, diferente da grande maioria, há uma proporção muito maior de pessoas trabalhando do que vivendo de auxílio emergencial”, disse.

Panorama político e alianças

Zema participou do Encontro Estadual do Partido Novo em Pernambuco, no Recife Expo Center, no bairro de Santo Antônio, área central do Recife. Também no evento, o pré-candidato desconversou quando foi questionado sobre se o Novo estaria fechado com a reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD), ou se seria possível apoiar uma eventual candidatura do PL ao governo de Pernambuco. “O Novo tem caminhado com o PL nos estados do Sul, em Goiás, com PSD em Minas Gerais, em São Paulo já está definido”, afirmou, sem dar detalhes sobre o cenário local. A declaração ocorre em um contexto de disputa eleitoral acirrada, com o Novo buscando ampliar sua base no Nordeste, região historicamente dominada por partidos de centro-esquerda, como PT e PSB. A tentativa de Zema de se aproximar do eleitorado nordestino reflete a estratégia do partido de romper barreiras regionais e consolidar uma candidatura nacional, em meio a críticas de que suas falas anteriores reforçaram estereótipos e divisões regionais.

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