Um DJ, cujo nome não foi divulgado, denunciou que foi deixado com sua filha de 3 anos em uma área desocupada após o motorista de um aplicativo de transporte cancelar a corrida durante o trajeto. O caso ocorreu na região entre Bebedouro e Pinheiro, no interior de São Paulo, e foi registrado no último sábado (26). Segundo o artista, o veículo ficou sem combustível no meio do percurso, e o condutor, sem prestar qualquer assistência, encerrou a viagem, obrigando pai e filha a aguardarem ajuda em local ermo.
De acordo com o relato do DJ, a corrida foi solicitada por volta das 22h, com destino a um evento na cidade de Pinheiro. Durante o trajeto, o motorista informou que o carro estava com pouco combustível, mas garantiu que conseguiria completar o percurso. No entanto, a aproximadamente 10 quilômetros do destino, o veículo parou completamente. O artista afirmou que o motorista, então, cancelou a corrida pelo aplicativo e saiu do carro, deixando o DJ e a criança sozinhos na estrada escura e deserta.
Abandono em área de risco
A região entre Bebedouro e Pinheiro é conhecida por ser pouco movimentada à noite, com trechos de mata fechada e baixa cobertura de sinal de telefonia. O DJ contou que precisou caminhar por cerca de 20 minutos com a filha no colo até conseguir sinal para pedir socorro. “Foi desesperador. Minha filha chorava, com medo, e eu não sabia se alguém passaria por ali”, desabafou o artista, que preferiu não se identificar por questões de segurança. Ele acionou um amigo, que os resgatou por volta das 23h30.
O caso levanta questões sobre a segurança e a responsabilidade das plataformas de transporte por aplicativo. Especialistas apontam que o cancelamento unilateral da corrida em situação de emergência, como falta de combustível, pode configurar abandono de incapaz, especialmente quando há crianças envolvidas. A legislação brasileira prevê pena de detenção de seis meses a três anos para quem abandona pessoa que está sob seu cuidado, guarda ou vigilância.
Panorama político e regulatório
O incidente ocorre em meio a debates no Congresso Nacional sobre a regulamentação dos serviços de transporte por aplicativo. Projetos de lei em tramitação propõem regras mais rígidas para os motoristas, incluindo a obrigatoriedade de assistência em caso de falhas mecânicas ou falta de combustível, além de punições para cancelamentos abusivos. A Associação Brasileira de Mobilidade Urbana (ABMU) defende que as empresas sejam responsabilizadas solidariamente por incidentes como este, enquanto as plataformas argumentam que os motoristas são prestadores de serviços independentes.
O DJ informou que registrará boletim de ocorrência na delegacia de Pinheiro e que pretende acionar judicialmente o motorista e a plataforma. “Não é só por mim, é pela minha filha e por todas as pessoas que podem passar por isso”, afirmou. A empresa de aplicativo, procurada pela reportagem, não se manifestou até o fechamento desta edição.
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