Empresário alagoano e esposa presos em operação da PF por espionagem e fraude bilionária na mineração

A Polícia Federal (PF) prendeu, nesta quinta-feira (18), em Belo Horizonte (MG), o empresário alagoano Alan Cavalcante do Nascimento, apontado como líder de uma organização criminosa investigada por esquemas de corrupção no setor de mineração, e sua esposa, Tayná Vitória Cerqueira Gouveia. A prisão ocorreu durante a segunda fase da ‘Operação Rejeito’, que mira fraudes bilionárias e obstrução à Justiça, incluindo a espionagem de investigações em andamento.

De acordo com a PF, o esquema movimentou cerca de R$ 1,5 bilhão e envolve crimes como corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. As investigações apontam que Alan Cavalcante do Nascimento utilizava empresas de fachada e contatos em órgãos públicos para obter vantagens indevidas em contratos de mineração, além de monitorar ilegalmente as apurações policiais para evitar a responsabilização. A esposa, Tayná Vitória Cerqueira Gouveia, é suspeita de auxiliar na ocultação de patrimônio e na logística do grupo.

Operação Rejeito e o contexto da fraude bilionária

A segunda fase da Operação Rejeito, deflagrada pela PF, aprofunda as apurações iniciadas em 2024, quando foram identificados indícios de um esquema que desviava recursos públicos e privados por meio de contratos superfaturados no setor mineral. A ação desta quinta-feira cumpriu mandados de prisão preventiva e busca e apreensão em endereços ligados aos investigados em Alagoas e Minas Gerais. O nome da operação remete ao descarte de rejeitos de mineração, setor onde as fraudes teriam ocorrido, com impacto direto na exploração de recursos naturais e na arrecadação de tributos.

As investigações revelaram que Alan Cavalcante do Nascimento mantinha uma rede de informantes dentro de órgãos de fiscalização e polícias, permitindo que o grupo se antecipasse a operações e destruísse provas. A espionagem incluía o monitoramento de comunicações e o acesso a dados sigilosos de processos judiciais. A PF estima que o esquema tenha lesado cofres públicos e empresas privadas em mais de R$ 1,5 bilhão, com ramificações em pelo menos três estados brasileiros.

Panorama político e repercussões

A prisão de Alan Cavalcante do Nascimento ocorre em um momento de intensificação das operações de combate à corrupção em todo o país, especialmente nos setores de mineração e infraestrutura. O caso ganha relevância por envolver um empresário com atuação em Alagoas e Minas Gerais, estados onde a exploração mineral é estratégica para a economia local. A operação também levanta questionamentos sobre a eficácia dos mecanismos de controle e a vulnerabilidade de investigações a ações de espionagem por parte de organizações criminosas.

Esquemas de R$ 1,5 bilhão como o investigado na Operação Rejeito expõem a necessidade de maior transparência e integridade nos processos de licitação e fiscalização ambiental. A PF reforça que as investigações continuam e que novas fases podem ocorrer para desarticular completamente a rede criminosa. A defesa dos presos ainda não se manifestou publicamente.

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