O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), pré-candidato à Presidência da República, afirmou nesta sexta-feira (19) que ‘nunca foi próximo’ do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e voltou a criticar o Supremo Tribunal Federal (STF), classificando a corte como ‘poder incendiário’. A declaração foi feita durante entrevista à rádio CBN Recife, em meio à repercussão do escândalo envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso sob suspeita de chefiar um esquema de fraudes financeiras que, segundo a Polícia Federal, podem chegar a R$ 12 bilhões.
As investigações revelaram que Vorcaro financiou o filme ‘Dark Horse’, sobre Jair Bolsonaro, com negociações que envolveram contatos diretos com o senador Flávio Bolsonaro. Inicialmente, o parlamentar omitiu a relação com o banqueiro, a quem visitou enquanto este usava tornozeleira eletrônica. Posteriormente, um áudio em que Flávio cobra dinheiro de Vorcaro para o filme veio a público. Zema já havia criticado o senador anteriormente, afirmando que ‘cobrando dinheiro de Vorcaro é imperdoável’ e que ‘não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa’.
Na entrevista, Zema foi questionado sobre a relação com Flávio Bolsonaro e respondeu: ‘Nós nunca fomos próximos. Eu estive mais próximo do Bolsonaro, porque fui governador enquanto ele presidente, apoiei ele em 2022, fui reeleito em primeiro turno em Minas Gerais. Mesmo o Bolsonaro lançando um candidato que teve quase 10% dos votos. Então, foi um presidente que levou coisas boas para os mineiros, como a ampliação do metrô, que teve aporte federal. Com o senador [Flávio Bolsonaro] eu não tive muito contato.’
O ex-governador também voltou a fazer duras críticas ao STF, chamando ministros da corte de ‘frutas podres’. ‘O Supremo tinha respeito no passado. Até uns 15 anos atrás, sempre foi um porto seguro, quase que um poder moderador. Recentemente se transformou num poder incendiário, está jogando gasolina no incêndio. Em vez de estar amenizando as crises, está criando novas crises. Mas eu tenho muita confiança que nós vamos ter uma renovação no Senado e que essas frutas podres vão ser eliminadas’, afirmou.
Outro tema abordado por Zema foi a inclusão do líder do governo no Congresso, senador Jaques Wagner (PT-BA), na lista de investigados no Caso Master. A Polícia Federal investiga possíveis conexões entre o banqueiro e figuras políticas de diferentes espectros, ampliando o alcance do escândalo. O caso expõe fragilidades no sistema financeiro e levanta questionamentos sobre a influência de grandes doadores em campanhas eleitorais, em um ano de eleições presidenciais.
O cenário político de 2026 é marcado por tensões entre os poderes e disputas internas na direita. Enquanto Zema busca se posicionar como alternativa moderada, críticas ao STF e o distanciamento de Flávio Bolsonaro sinalizam uma tentativa de capitalizar o desgaste de aliados do ex-presidente. A renovação no Senado, mencionada por Zema, é vista como chave para mudanças na composição da corte, mas especialistas alertam para o risco de judicialização da política. O escândalo do Banco Master, com potencial de atingir R$ 12 bilhões, promete ser um dos temas centrais da campanha, expondo a permeabilidade entre setor financeiro e poder público.
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