A crise se instalou de vez no setor de fertilizantes, que decidiu acionar o MRE (Ministério das Relações Exteriores) para pedir uma varredura global em busca de fornecedores emergenciais do insumo fundamental da agricultura. A medida, tomada em caráter de urgência, reflete o agravamento da escassez de fertilizantes no mercado internacional, que já impacta diretamente a produção agrícola brasileira.
O pedido foi formalizado por representantes do setor produtivo, que alertam para o risco de desabastecimento e consequente aumento dos preços dos alimentos. A varredura, coordenada pelo Itamaraty, busca identificar países e empresas dispostos a suprir a demanda brasileira de curto prazo, enquanto as rotas tradicionais de fornecimento seguem comprometidas por conflitos geopolíticos e restrições logísticas.
Panorama político e econômico
A iniciativa ocorre em um contexto de tensões globais, com a guerra na Ucrânia e sanções econômicas afetando a exportação de potássio e outros nutrientes essenciais. O Brasil, um dos maiores importadores mundiais de fertilizantes, depende de países como Rússia, Belarus e China para suprir cerca de 85% de suas necessidades. A dependência externa torna o país vulnerável a choques de oferta, o que motivou o governo a buscar alternativas emergenciais.
Segundo fontes do setor, a situação é crítica: estoques estão no menor nível dos últimos cinco anos, e a safra de grãos de 2026/2027 pode ser severamente comprometida caso não haja reposição imediata. A Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA) estima que o déficit atual já ultrapassa 2 milhões de toneladas, com impacto direto na produtividade de culturas como soja, milho e café.
A varredura do Itamaraty inclui contatos diplomáticos com países da África, Oriente Médio e América Latina, além de negociações com fornecedores tradicionais que ainda mantêm capacidade de exportação. O ministro das Relações Exteriores, em declaração oficial, afirmou que a prioridade é garantir o abastecimento interno sem comprometer as relações comerciais de longo prazo.
Enquanto isso, o governo federal estuda medidas complementares, como a liberação de crédito emergencial para produtores e a ampliação de investimentos em produção nacional de fertilizantes, embora essas ações demandem tempo e recursos significativos. A crise expõe a fragilidade da matriz produtiva brasileira e acende um alerta para a necessidade de diversificação de fornecedores e redução da dependência externa.
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