Azzas 2154 contrata Morgan Stanley para avaliar futuro da Farm Rio em meio a racha entre sócios

A Azzas 2154 informou nesta sexta-feira (19) que contratou o banco Morgan Stanley para avaliar opções estratégicas para a marca Farm Rio, em meio à escalada da disputa entre os dois principais sócios do grupo, os empresários Alexandre Birman e Roberto Jatahy. A decisão foi comunicada ao mercado por meio de fato relevante e sinaliza que a holding, dona de marcas como Arezzo, Hering e a própria Farm, pode estar se preparando para vender, separar ou reestruturar a grife carioca, que se tornou um dos ativos mais valiosos do portfólio.

A contratação do Morgan Stanley ocorre em um momento de forte tensão societária. A briga entre Birman e Jatahy, que juntos controlam a maior parte do capital votante da companhia, já vinha sendo acompanhada de perto pelo mercado e, segundo fontes, caminha para uma cisão do grupo. A Farm Rio, adquirida em 2020 por cerca de R$ 1 bilhão, é um dos principais pontos de discórdia, pois representa não apenas um negócio de alto valor agregado, mas também uma plataforma de expansão internacional que ambos os sócios desejam comandar.

Impactos no mercado de moda e na governança

A avaliação externa das alternativas para a Farm Rio pode ter consequências profundas para o setor de moda brasileiro. A marca, conhecida por suas estampas vibrantes e presença em mais de 40 países, é uma das poucas grifes nacionais com projeção global. Qualquer movimento de venda ou separação pode alterar o equilíbrio competitivo no segmento de moda premium, além de impactar fornecedores, lojistas e os cerca de 3 mil funcionários diretos da empresa. Para o mercado financeiro, a indefinição sobre o futuro da Farm gera volatilidade: as ações da Azzas 2154 acumulam queda de 12% no mês, refletindo a incerteza sobre a governança e a capacidade de manter a estratégia de crescimento integrada.

Paralelamente, a disputa entre os controladores expõe fragilidades na estrutura de governança da holding. Birman e Jatahy, que construíram juntos um império avaliado em mais de R$ 20 bilhões, divergem sobre o rumo dos negócios: enquanto um defende maior foco em marcas de luxo e expansão internacional, o outro prioriza a consolidação operacional e a rentabilidade de curto prazo. A falta de alinhamento já levou à paralisação de investimentos e à saída de executivos-chave, como o CEO da unidade de vestuário, que pediu demissão na semana passada.

Panorama político e econômico

O imbróglio na Azzas 2154 ocorre em um cenário macroeconômico desafiador para o varejo brasileiro. Com a taxa Selic em 14,25% ao ano e a inflação pressionando o consumo das famílias, o setor de moda enfrenta queda nas vendas e aumento da inadimplência. Além disso, a reforma tributária em tramitação no Congresso pode elevar a carga sobre o setor, especialmente para marcas com operações internacionais como a Farm. Nesse contexto, a briga entre os sócios é vista por analistas como um risco adicional que pode comprometer a capacidade da empresa de navegar por um ambiente de juros altos e demanda fraca.

A Azzas 2154 não detalhou quais são as alternativas em avaliação, mas o mercado especula que a venda total ou parcial da Farm Rio para um fundo de private equity ou um grupo estrangeiro é a opção mais provável. Outra possibilidade é a separação da marca em uma nova empresa, com controle dividido entre os sócios, o que na prática equivaleria a uma cisão. O Morgan Stanley deverá apresentar um relatório preliminar nas próximas semanas, e a expectativa é que a assembleia de acionistas, marcada para agosto, seja palco de novas definições sobre o futuro do grupo.

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