O Governo do Distrito Federal está cobrando R$ 1 milhão da organização não governamental presidida por Karina Ferreira da Gama, devido a falhas na execução de um convênio na área de educação. A medida foi oficializada após auditoria apontar irregularidades no uso dos recursos públicos destinados ao projeto, que tinha como objetivo promover atividades educacionais em regiões carentes do DF. A ONG, que também possui vínculos com a produção do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, agora enfrenta um processo administrativo para reaver os valores.
De acordo com informações divulgadas pela Folha de S.Paulo em 20 de junho de 2026, a cobrança decorre de uma série de descumprimentos contratuais identificados pela Secretaria de Educação do DF. Entre as falhas estão a não prestação de contas de parte dos recursos, a ausência de relatórios de atividades e a aplicação dos valores em desacordo com o plano de trabalho aprovado. O convênio, firmado em 2024, previa a realização de cursos de capacitação e reforço escolar para jovens em situação de vulnerabilidade social.
Panorama político e desdobramentos
O caso ganhou contornos políticos devido à ligação da ONG com a produção cinematográfica sobre a vida de Jair Bolsonaro, que foi lançada em 2025 e gerou controvérsias sobre o uso de recursos públicos e privados. Karina Ferreira da Gama, que preside a entidade, também atuou como produtora executiva do filme, o que levanta questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse. A situação ocorre em um momento de intenso debate sobre a transparência na gestão de convênios entre o poder público e organizações do terceiro setor, especialmente aquelas com vínculos partidários.
Especialistas em administração pública ouvidos pela reportagem destacam que a cobrança de R$ 1 milhão é um valor significativo para os cofres do DF, que enfrenta desafios orçamentários. A medida também serve como alerta para outras entidades que firmam parcerias com o governo, reforçando a necessidade de rigor na prestação de contas. A ONG tem prazo para apresentar defesa administrativa e, caso não haja acordo, o caso pode ser encaminhado ao Ministério Público para eventual ação de improbidade administrativa.
O governo do DF, por meio de nota, afirmou que a cobrança é parte de uma rotina de fiscalização e que não há perseguição política. No entanto, a oposição no legislativo distrital já solicitou a abertura de uma comissão parlamentar de inquérito para investigar a fundo as relações entre a ONG, o filme e o uso de verbas públicas. A situação promete gerar novos capítulos nos próximos meses, com impacto direto na imagem das instituições envolvidas.
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