As pesquisas eleitorais em Alagoas deixaram de ser ferramentas de diagnóstico e se transformaram em instrumento de guerra política. Levantamentos encomendados por partidos ou candidatos são divulgados seletivamente para desgastar adversários, muitas vezes com dados parciais ou metodologias questionáveis. O fenômeno foi denunciado por analistas e políticos que apontam a banalização dos números.
O presidente do Instituto de Pesquisas de Alagoas, Carlos Mendes, critica a prática: “Os dados são usados como munição, não como informação. Isso descredibiliza o processo eleitoral e confunde o eleitor”. A declaração foi feita após a divulgação de uma pesquisa que mostrava o governador Paulo Dantas (MDB) com vantagem, mas que foi atacada por adversários como “manipulada”.
O senador Renan Calheiros (MDB) ironizou a situação: “Pesquisa virou arma de campanha. Quem tem dinheiro encomenda, quem não tem critica. O povo fica sem saber em quem confiar”. Já o deputado federal Arthur Lira (PP) evitou comentar diretamente, mas defendeu a regulamentação mais rígida dos institutos.
Na prática, o uso político das pesquisas já impacta o cenário eleitoral. Candidatos menores reclamam que não têm recursos para contratar levantamentos e acabam invisibilizados. A expectativa é que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AL) intensifique a fiscalização sobre a divulgação de dados.
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