Flávio Bolsonaro adota bandeiras de Lula e promete acabar com a fome em pré-candidatura à Presidência

O pré-candidato do PL à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro, voltou a defender bandeiras históricas do presidente Lula e do PT em seu discurso neste sábado (20) em Guarulhos, na Grande São Paulo, durante o lançamento da pré-candidatura de André do Prado (PL) ao Senado Federal pelo estado. Em uma fala que mesclou promessas de medidas radicais na segurança pública com a adoção de um dos principais slogans da campanha petista de 2022, Flávio afirmou que “vai ser radical para cumprir uma promessa que o Lula faz há mais de 20 anos e não cumpre: o pacto contra a fome”. A declaração ocorre em um momento de intensa disputa política, com o governo Lula enfrentando desafios na aprovação de pautas econômicas e a oposição buscando consolidar uma alternativa para 2026.

O evento, que contou com a presença do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi palco de uma série de anúncios que buscam reposicionar a candidatura de Flávio Bolsonaro no espectro político. Após prometer encarceramento em massa de ladrões de celulares, castração química de estupradores e combate às facções PCC e Comando Vermelho – medidas que ele próprio classificou como “radicais” –, o senador do PL direcionou seu discurso para a área social, afirmando que terá o foco de acabar com a fome, bandeira que elegeu Lula pela primeira vez em 2002, quando o petista criou o programa ‘Fome Zero’. O programa, que mais tarde se transformou no Bolsa Família, é uma das marcas dos governos petistas e ainda hoje é um dos pilares da política de assistência social do país.

Discurso mescla segurança pública e pauta social

“Vou ser radical na Segurança Pública sim. Vou ser radical para garantir ensino de qualidade pras nossas crianças. Vou ser radical para cumprir uma promessa que o Lula faz há mais de 20 anos e não cumpre: o pacto contra a fome. É fácil. Basta ter vontade. Porque hoje, uma criança de dois, três anos de idade, não tem o que comer as vezes. Como essa criança vai se desenvolver? É nossa obrigação dar ajuda a essas crianças desde a creche. E a gente vai zerar essa fila de creche. Vamos ajudar os estados e municípios, para as mulheres terem com quem deixar seus filhos”, disse o senador do PL, em um tom que busca atrair eleitores de centro e de esquerda, tradicionalmente ligados ao PT.

Ao final do discurso, Flávio voltou a citar o slogan histórico de Lula na campanha de 2022, quando o petista discursou dizendo que “a esperança tinha vencido o medo”. A fala do senador foi direcionada ao governador Tarcísio de Freitas, a quem agradeceu pela presença e lembrou que, no início, não queria ser candidato à Presidência, mas aceitou a indicação do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, “diante das circunstâncias” e porque “missão foi dada”. “Meu amigo Tarcísio sabe o que estou passando nesse momento. O Tarcísio nunca imaginou que seria governador aqui de São Paulo. Mas quando o presidente Bolsonaro aponta, o Tarcísio prontamente – carioca e flamenguista – veio ser governador de São Paulo”, afirmou.

Panorama político e reações

A estratégia de Flávio Bolsonaro de adotar bandeiras de Lula ocorre em um cenário de polarização acentuada, onde pesquisas recentes indicam que 65% dos eleitores brasileiros não se deixam influenciar por endossos externos, como o do ex-presidente dos EUA Donald Trump, conforme apontou o Datafolha. A tática de se aproximar de pautas sociais pode ser vista como uma tentativa de ampliar o eleitorado para além da base bolsonarista, que tem enfrentado erosão de apoio entre evangélicos, mulheres e jovens, segundo a pesquisa Quaest. Enquanto isso, o governo Lula lida com investigações da Polícia Federal que miram aliados, como o senador Jaques Wagner, líder do governo no Senado, em meio a críticas do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que defendeu a aplicação da lei sem exceções.

A fala de Flávio também ecoa um movimento de parte da oposição, que busca se distanciar de figuras como o senador Flávio Bolsonaro e o ex-presidente, enquanto tenta capitalizar sobre escândalos como o do Banco Master, que envolveu críticas ao STF por parte do governador de Minas Gerais, Romeu Zema. A adoção do slogan “a esperança vai vencer o medo” por um candidato do PL, partido que historicamente se opõe ao PT, sinaliza uma tentativa de redefinir o discurso político para as eleições de 2026, em um momento em que a economia e a segurança pública são os principais temas de debate no país.

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