Termina neste sábado (20) o prazo para aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) contestarem a cobrança de mensalidades associativas descontadas de seus benefícios previdenciários sem autorização, em um processo que já resultou na devolução de mais de R$ 3,2 bilhões a 4,7 milhões de pessoas lesadas em todo o país, conforme dados do Ministério da Previdência Social. A contestação é obrigatória para aderir ao acordo extrajudicial proposto pelo governo federal e homologado pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), em 3 de julho de 2025, que permitiu ao INSS iniciar os reembolsos no dia 24 de julho.
O acordo, que abrange valores descontados entre março de 2020 e março de 2025, foi desenhado para agilizar a restituição dos valores retirados ilegalmente dos benefícios previdenciários. Segundo a pasta, os segurados do Regime Geral da Previdência Social que aderem ao acordo recebem os valores corrigidos em suas contas bancárias em até três dias úteis. Quem tiver contestado as cobranças poderá aderir ao acordo mesmo após o fim do prazo de contestação, desde que esta tenha sido aprovada.
Panorama Político e Impacto Social
A medida integra um esforço mais amplo do governo federal para corrigir distorções históricas no sistema previdenciário e garantir direitos dos segurados, em meio a um cenário político marcado por debates sobre a sustentabilidade fiscal e a proteção social. A devolução dos valores, que já supera a marca de R$ 3,2 bilhões, representa um alívio financeiro para milhões de aposentados e pensionistas, muitos dos quais dependem exclusivamente do benefício para sobreviver. O acordo extrajudicial, homologado pelo STF, evitou a judicialização em massa e acelerou o processo de reparação, mas expôs fragilidades nos mecanismos de controle do INSS, que permitiram que associações realizassem descontos sem autorização explícita dos titulares.
Para ter direito à devolução, o segurado deve verificar sua situação pelo aplicativo ou site Meu INSS, pela Central 135, ou em agências dos Correios. O processo exige que o beneficiário confirme se houve descontos indevidos e, em caso positivo, formalize a contestação dentro do prazo. A adesão ao acordo é voluntária, mas a contestação é o primeiro passo para garantir o ressarcimento. O governo federal estima que ainda há milhões de segurados que não contestaram os descontos, o que pode resultar na perda do direito à restituição.
O caso também reacendeu o debate sobre a regulação das associações e sindicatos que realizam descontos em folha de pagamento de benefícios previdenciários. A Advocacia-Geral da União (AGU) e o Ministério Público Federal (MPF) acompanham o cumprimento do acordo, que prevê a devolução integral dos valores, corrigidos pela inflação, sem necessidade de ação judicial. Para os segurados que já contestaram, a recomendação é acompanhar o status pelo Meu INSS e, se aprovado, aguardar o depósito em conta.
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