Em seis meses, a campanha do presidente Lula já acionou o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) mais de 60 vezes. Desde o início do ano, foram protocoladas 63 ações, incluindo pedidos de direito de resposta, conforme apurou a coluna Painel, da Folha de S.Paulo. O volume de acionamentos reflete a intensificação da disputa eleitoral e a preocupação com a disseminação de desinformação, especialmente com o uso crescente de inteligência artificial (IA) na propaganda política.
De acordo com os dados levantados, quase um terço das ações protocoladas pela campanha de Lula está relacionado a conteúdos gerados por IA. Esse fenômeno acende um alerta para as eleições de 2026, já que a tecnologia permite a criação de vídeos, áudios e textos falsos com alto grau de realismo, dificultando a distinção entre informação verdadeira e manipulada. O TSE tem sido pressionado a adotar medidas mais rigorosas para coibir o uso indevido de IA no período eleitoral.
Panorama político e judicial
O alto número de acionamentos ao TSE pela campanha de Lula ocorre em um contexto de polarização acentuada e de disputa por narrativas nas redes sociais. Enquanto isso, outros candidatos e partidos também têm recorrido à Justiça Eleitoral para contestar peças publicitárias e declarações de adversários. A judicialização da campanha, embora comum em pleitos recentes, ganha contornos inéditos com a presença da IA, que exige respostas rápidas e especializadas do tribunal.
Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que a situação exige um equilíbrio entre o combate à desinformação e a liberdade de expressão. O TSE já sinalizou que deve atualizar suas resoluções para incluir regras específicas sobre o uso de IA, como a obrigatoriedade de identificação de conteúdos sintéticos e a responsabilização de plataformas que não removerem material ilegal.
Para além do caso específico, o cenário reflete uma tendência global de crescimento de fraudes digitais em períodos eleitorais. Conteúdos falsos gerados por IA já foram usados em campanhas em outros países, como nos Estados Unidos e na Índia, e agora chegam com força ao Brasil. A expectativa é que o debate sobre regulação da tecnologia avance no Congresso e no Judiciário nos próximos meses.
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