CNI propõe a pré-candidatos fim do ganho real em aposentadorias e ajuste fiscal severo

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) vai apresentar a pré-candidatos à Presidência da República um pacote de medidas fiscais que inclui o fim do ganho real para aposentadorias e a correção do salário mínimo apenas pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), sem aumento real. A proposta, divulgada em 21 de junho de 2026, visa conter o crescimento das despesas obrigatórias e abrir espaço para investimentos, em meio ao agravamento do déficit público e ao debate sobre a sustentabilidade do regime fiscal brasileiro.

A entidade defende que o governo eleito reajuste as aposentadorias exclusivamente pela inflação, eliminando a política de ganho real que historicamente eleva o poder de compra dos beneficiários. No caso do salário mínimo, a sugestão é que a correção anual passe a ser feita apenas pelo INPC, abandonando a fórmula atual que combina inflação com o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). A medida, se adotada, impactaria diretamente milhões de trabalhadores e aposentados, mas a CNI argumenta que é necessária para evitar um colapso fiscal.

Panorama político e econômico

A proposta da CNI surge em um contexto de forte pressão sobre as contas públicas, com o governo federal registrando déficit primário recorrente e a dívida pública ultrapassando 80% do PIB. Pré-candidatos de diferentes espectros políticos, como os representantes do centrão, da esquerda e da direita, têm sido cobrados por propostas concretas de ajuste fiscal. A entidade industrial busca influenciar o debate, alertando que, sem reformas, o país pode enfrentar uma crise de confiança dos investidores e aumento dos juros.

A CNI também incluiu no pacote outras medidas, como a revisão de subsídios e incentivos fiscais, a desvinculação de receitas da União e a criação de um teto para gastos com pessoal. A proposta é vista como um sinal de que o setor produtivo está disposto a apoiar um ajuste, desde que haja contrapartidas em investimentos em infraestrutura e desburocratização. No entanto, a reação de sindicatos e movimentos sociais já é de forte oposição, classificando a medida como um ataque aos direitos trabalhistas e previdenciários.

O debate sobre o ganho real das aposentadorias e do salário mínimo promete ser um dos temas centrais da campanha eleitoral de 2026. Enquanto a CNI defende a disciplina fiscal, partidos de oposição e centrais sindicais articulam propostas alternativas, como a taxação de grandes fortunas e o aumento da progressividade do Imposto de Renda. A proposta da Confederação Nacional da Indústria, portanto, insere-se em um cenário de disputa acirrada sobre o modelo de desenvolvimento econômico e social do Brasil.

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