Agricultores familiares registram aumento de 30% na renda com programa federal de aquisição de alimentos

Um estudo divulgado nesta segunda-feira (22) pelo governo federal revelou que os agricultores familiares atendidos pelo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) tiveram um aumento de até 30% na renda. O programa, criado em 2003, prevê que os produtos desses agricultores sejam comprados pelo governo e doados gratuitamente a pessoas em situação de vulnerabilidade em todo o Brasil, por meio de organizações das redes socioassistenciais, públicas e filantrópicas. O impacto positivo na vida dos produtores rurais é exemplificado pela história de Celia Maria da Silva Soares, de 66 anos, agricultora piauiense que, junto com o marido Francisco, cultiva alimentos no Assentamento Santana Nossa Esperança, na zona rural de Teresina (PI).

A roça da “vó Célia”, como é conhecida, abastece não apenas a mesa dos quatro netos e dos dois filhos, mas também gera renda por meio da venda ao PAA. “Isso melhorou muito a nossa vida”, afirmou em entrevista por telefone à Agência Brasil. Ela produz farinha de mandioca, feijão verde, cheiro verde e frutas que viram suco para as crianças, tudo cultivado na própria plantação. O programa garante que esses alimentos cheguem de graça a pessoas em vulnerabilidade, enquanto fortalece a economia local e a segurança alimentar.

O estudo, que analisou dados de todo o país, destaca que o aumento de renda de até 30% é um reflexo direto da política pública, que também contribui para a permanência dos agricultores no campo e a redução do êxodo rural. O PAA é operado em parceria com estados e municípios, e tem sido apontado como um dos pilares do fortalecimento da agricultura familiar no Brasil. Em paralelo, o governo federal anunciou recentemente recursos para o Pronaf Mais Leite, e o ministro da Agricultura destacou que o acordo Mercosul-UE beneficiará a agricultura familiar, ampliando as perspectivas do setor.

O panorama político geral indica que o PAA, embora exista há mais de duas décadas, ganhou novo impulso com a retomada de investimentos federais em programas sociais e de desenvolvimento rural. A medida é vista como estratégica para combater a fome e a pobreza, especialmente em regiões como o Nordeste, onde a agricultura familiar é a base da economia de muitos municípios. A continuidade e ampliação do programa dependem de articulação entre os poderes Executivo e Legislativo, além da manutenção de orçamento adequado para atender à demanda crescente.

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