Uma nova pesquisa do instituto Ipsos/Ipec, divulgada nesta quarta-feira (26), aponta que a avaliação negativa do governo federal recuou, mas a desaprovação ainda supera a aprovação entre os brasileiros. Segundo o levantamento, 38% dos entrevistados consideram a gestão como ruim ou péssima, enquanto 32% a avaliam como ótima ou boa. Os 30% restantes classificam o governo como regular. Os dados indicam uma estabilidade nos índices de avaliação, com uma leve melhora em relação a pesquisas anteriores, mas o cenário ainda reflete um ambiente de insatisfação popular, impulsionado por desafios econômicos e políticos.
A pesquisa, realizada entre os dias 19 e 23 de junho, ouviu 2.000 eleitores em 127 municípios brasileiros, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento mostra que, embora a taxa de avaliação negativa tenha recuado em comparação com o mês anterior, quando era de 41%, a desaprovação ainda supera a aprovação, que se manteve em 32%. O índice de avaliação regular também oscilou, passando de 27% para 30% no mesmo período. Esses números sugerem que, apesar de uma leve recuperação na percepção pública, o governo ainda enfrenta resistência significativa, especialmente em áreas como economia, saúde e segurança pública.
Panorama político e econômico
O resultado da pesquisa ocorre em um contexto de intensos debates no Congresso Nacional sobre a reforma tributária e o arcabouço fiscal, propostas centrais do governo para equilibrar as contas públicas e estimular o crescimento. A aprovação de medidas como o novo regime fiscal, que substitui o teto de gastos, tem sido vista como um teste para a capacidade de articulação política do Executivo. No entanto, a lentidão nas negociações e as críticas de setores da oposição e até mesmo de aliados têm gerado incertezas sobre a eficácia das políticas econômicas. Além disso, a inflação, embora em desaceleração, ainda pressiona o poder de compra das famílias, enquanto a taxa de desemprego, apesar de ter caído para 8,5%, continua alta em termos históricos, afetando a percepção de bem-estar da população.
No campo político, a pesquisa reflete a polarização que marca o cenário nacional. A avaliação do governo varia significativamente conforme o perfil do eleitorado: entre os que se identificam com partidos de esquerda, a aprovação é majoritária, enquanto entre os eleitores de centro e de direita, a desaprovação predomina. Esse quadro é agravado por escândalos de corrupção envolvendo membros do governo e aliados, como as investigações sobre desvios em obras públicas e contratos suspeitos, que têm alimentado a desconfiança popular. A oposição, por sua vez, tem explorado esses episódios para criticar a gestão, enquanto o governo busca reforçar sua base com programas sociais, como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida, que têm impacto positivo entre os mais pobres.
Especialistas consultados pela reportagem apontam que a estabilidade nos índices de avaliação pode ser interpretada como um sinal de que o governo não conseguiu avançar significativamente na melhoria da percepção pública, apesar de esforços em áreas como educação e infraestrutura. A pesquisa também destaca que a região Nordeste, tradicional reduto eleitoral do governo, apresenta os melhores índices de aprovação, enquanto o Sul e o Sudeste concentram as maiores taxas de desaprovação. Esse padrão geográfico reforça a importância de políticas regionais para reduzir as desigualdades e ampliar a base de apoio.
O levantamento do Ipsos/Ipec é um dos mais aguardados do mês, pois serve como termômetro para a popularidade do governo em um momento de definições importantes no Legislativo. A pesquisa completa, com detalhes sobre avaliação por áreas temáticas e perfil dos entrevistados, está disponível no site do instituto. A tendência para os próximos meses dependerá da capacidade do governo de aprovar reformas, controlar a inflação e gerar empregos, além de gerenciar crises políticas que possam surgir. Enquanto isso, a população segue dividida, com uma parcela significativa ainda insatisfeita com os rumos do país.
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